General bósnio-croata Praljak morreu após ingerir cianureto

Haia, 1 dez 2017 (AFP) - O general bósnio-croata Slobodan Praljak, que se suicidou na quarta-feira (29) diante dos juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) em Haia, morreu de um ataque cardíaco provocado por cianureto, anunciou nesta sexta-feira (1) a Promotoria holandesa.

"Os resultados preliminares das análises toxicológicas mostraram que Praljak tinha uma grande concentração de cianureto no sangue", explicou a Promotoria em comunicado.

"Isso provocou uma insuficiência cardíaca, o que se observa como possível causa de sua morte".

Paralelamente, o TPII começará uma investigação interna na semana que vem como complemento da investigação da Promotoria holandesa, solicitada pelo tribunal.

O suicídio de Praljak, de 72 anos, aconteceu durante a leitura da sentença no julgamento de apelação contra seis ex-dirigentes e ex-chefes militares bósnio-croatas, acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito entre croatas e muçulmanos como parte da guerra da Bósnia.

A necropsia do corpo foi realizada em Rijswijk, perto de Haia, no Instituto Médico Legal holandês, reconhecido como um dos mais importantes laboratórios de medicina forense do mundo.

Dois especialistas croatas foram enviados "a pedido do TPII" como "observadores", disse à AFP um dos porta-vozes da Promotoria Vincent Veenman.

Anteriormente, uma análise provisória revelou na quinta-feira a presença de uma "substância química que pode provocar a morte" no frasco que Praljak tirou de seu bolso antes de ingerir o conteúdo.

- Uma 'cumplicidade'? -Dois dias depois ainda não se sabe como o acusado obteve o veneno, burlando todos os controles de segurança entre sua cela e a sala de audiência.

"Há uma necessidade de compreender como o veneno chegou ao tribunal", afirmou à AFP Celine Bardet, jurista internacional que trabalhou no TPII.

"Forçosamente isso leva à suspeita de uma 'cumplicidade', com muitas aspas, dentro da equipe" do centro de detenção de Scheveningen, concluiu a jurista.

Segundo Goran Sluiter, advogado holandês e professor de direito internacional na Universidade de Amsterdã, Praljak pode ter conseguido o frasco no centro de detenção, guardando um medicamento administrado para um tratamento, durante o transporte ao tribunal, dentro do mesmo TPII.

De pé, em frente aos juízes, Slobodan Praljak viu como o tribunal confirmava sua condenação a 20 anos de prisão e com a voz firme disse: "Slobodan Praljak não é um criminoso de guerra, rejeito seu veredito", tirou um frasco e bebeu seu conteúdo.

A investigação excepcional da Promotoria holandesa foi orientada desde o início para "a ajuda ao suicídio e à violação" das regras sobre substâncias médicas.

O TPII prevê publicar o resultado da investigação interna antes de fechar suas portas definitivamente, em 31 de dezembro.

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