Indefinição eleitoral provoca caos em Honduras

Tegucigalpa, 1 dez 2017 (AFP) - Honduras era sacudida nesta sexta-feira por protestos, ataques e saques, enquanto partidários do presidente Juan Orlando Hernández e do opositor Salvador Nasralla proclamam vitória, na ausência de resultados oficiais definitivos.

Milhares de seguidores de Nasralla bloquearam estradas em diversos pontos do país, enfrentando a polícia de choque.

Na capital, os manifestantes fecharam as principais avenidas e as saídas da cidade com barricadas, enquanto a população corria para supermercados e postos de gasolina para se abastecer diante da crise.

Nas redes sociais, viralizaram os vídeos de manifestantes enfrentando a polícia em diversos pontos do país.

Ao menos dois policiais e dez manifestantes ficaram feridos nos confrontos, alguns baleados, informaram as autoridades.

A polícia revelou que entre quinta e sexta-feira foram detidas 50 pessoas que participavam de saques a lojas na capital e em San Pedro Sula.

"Provocaram atos de vandalismo, roubaram, atentaram contra a segurança dos clientes e dos colaboradores de diversos negócios", denunciou o presidente da Câmara de Comércio do norte do país, Rafael Medina.

Nasralla convocou manifestações para defender o que considera sua vitória e denunciar uma "fraude".

Com 94,31% das urnas apuradas, Hernández, que busca uma polêmica reeleição com o Partido Nacional, lidera contra 42,92% dos votos, contra 41,42% para Nasralla, candidato da esquerda.

O presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), David Matamoros, revelou na noite de quinta-feira que o organismo iniciaria uma "apuração especial" de 1.031 atas com inconsistências, na presença dos delegados dos partidos, para garantir a transparência.

"Não vamos fazer mais anúncios até o fim do processo de revisão das atas", anunciou Matamoros.

A missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu, em uma nota enviada ao presidente do TSE, "o processamento de todas as atas" e a uma garantia de "absoluta transparência" da apuração.

Hernández, de 49 anos, busca um segundo mandato amparado por uma decisão da justiça, apesar da Constituição proibir a reeleição em Honduras.

Nasralla, de 64 anos e sem experiência política, representa a Aliança Opositora, bloco de esquerda liderado pelo ex-presidente Manuel Zelaya.

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