Senado dos EUA adota reforma fiscal, grande vitória para Trump

Washington, 2 dez 2017 (AFP) - O Senado dos Estados Unidos, de maioria republicana, adotou na madrugada deste sábado (2) um ambicioso projeto de reforma tributária e de redução de impostos - uma importante vitória legislativa para o presidente Donald Trump.

Adotado por 51 votos contra 49, o texto agora deve ser harmonizado com a versão da Câmara de Representantes em 16 de novembro.

Se for aprovada, será a primeira grande reforma do mandato do 45º presidente dos Estados Unidos, que ainda não conseguiu cumprir sua promessa de revogar o chamado "Obamacare", lei sobre o sistema de saúde de Barack Obama.

Pouco antes das 2h da manhã locais, o vice-presidente Mike Pence anunciou o resultado da votação, que foi recebido com aplausos pela maioria.

"Pela primeira vez desde 1986, a Câmara e o Senado adotaram uma grande reforma fiscal", comemorou o presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan.

"Uma oportunidade como essa se apresenta uma vez por geração. Temos de aproveitá-la", completou.

Ansioso por reivindicar uma vitória em um dos melhores dias de seu mandato até agora, Trump tuitou: "Estamos mais um passo perto de ENORMES cortes tributários para as famílias trabalhadoras em todo o país".

"Esperamos sancionar uma lei final antes do Natal!", acrescentou.

"As maiores leis sobre tributação e redução de impostos da história acabam de ser aprovadas no Senado. Agora, esses formidáveis republicanos buscarão a aprovação final. Obrigado os republicanos da Câmara dos Representantes e do Senado por seu trabalho e compromisso!", tuitou mais cedo.

Todos os senadores republicanos, com uma exceção, votaram a favor da reforma, que teve a oposição dos 48 democratas. Antes da aprovação, duas emendas - uma democrata e uma republicana - foram incluídas, durante uma longa série de votações.

Apesar de algumas horas de atraso, a maioria republicana cumpriu seu calendário. Para não perder o impulso, convocará, já na segunda-feira, uma comissão bicameral encarregada de conseguir um compromisso entre as duas câmaras. Depois, cada uma deverá voltar a votar o texto harmonizado antes do fim do ano.

- Déficit público em alta -Trump insiste em que os republicanos não têm direito ao erro, depois do humilhante fracasso de sua reforma do chamado Obamacare - a reforma do sistema de saúde aprovada no governo anterior.

O magnata nova-iorquino fez da redução de impostos o cavalo de batalha de sua política econômica, com o objetivo de melhorar o poder aquisitivo da classe média e estimular o crescimento da economia e o emprego.

Com essa reforma, o imposto das empresas, que é atualmente de 35%, passará a ser de 20%. Todas as categorias de contribuintes devem se beneficiar da redução dos impostos. E uma grande simplificação fiscal permitirá aos contribuintes, em tese, fazer sua declaração de imposto de renda "em uma única folha".

A batalha foi dura dentro do próprio campo republicano, que passou as últimas horas revisando sua proposta, em uma opacidade quase total, para satisfazer os senadores que ameaçavam não apoiá-la.

Um deles obteve um acordo de princípio da Casa Branca para resolver o problema dos chamados "dreamers", os milhares de jovens em situação migratória irregular que estão ameaçados de expulsão desde março. Outro conseguiu concessões para preservar algumas garantias do Obamacare.

Apenas o senador republicano pelo Tennessee Bob Corker votou contra, porque, segundo ele, a lei aumenta de forma excessiva o déficit público.

Inicialmente, os promotores da reforma garantiram que os cortes de impostos se autofinanciariam graças a uma aceleração do crescimento, mas - segundo especialistas - aumentará em um trilhão de dólares a atual dívida pública de 20 trilhões de dólares.

A minoria democrata conseguiu manifestar apenas uma oposição simbólica. No que se refere ao fundo, denunciaram um texto que "rouba" a classe média, porque beneficia mais as empresas e os contribuintes com mais renda.

"Esta noite, o Tesouro federal foi saqueado!", lançou o senador Bernie Sanders.

A lei também revoga a obrigação de contratar um seguro médico, a qual passou a valer com o Obamacare, medida essa pode desestabilizar o sistema de saúde. E abre terras protegidas do Alasca às perfurações petroleiras.

Em relação à forma, a oposição criticou a reescritura de último minuto e a apresentação tardia das 479 páginas do texto - algumas delas, com anotações a mão nas margens.

"Os senadores republicanos traíram a classe média americana", denunciou a líder democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

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