Trump nega conluio com a Rússia, mas caso ofusca sua primeira grande reforma

Nova York, 2 dez 2017 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou novamente neste sábado um "conluio" com a Rússia, mas pareceu admitir que sabia que seu ex-assessor de Segurança Nacional, o general reformado Michael Flynn, indiciado na sexta-feira, tinha mentido para o FBI.

Trump insistiu no sábado em que não houve conluio entre sua equipe eleitoral e a Rússia, e negou estar preocupado com as declarações de Flynn à Justiça.

Trump afirmou que Flynn não fez nada ilegal durante o período de transição, entre a vitória do republicano e sua chegada à Casa Branca.

"Tive que despedir o general Flynn porque tinha mentido para o vice-presidente e para o FBI. Ele se declarou culpado dessas mentiras. É triste, porque suas ações durante a transição foram legais. Não tinha nada a esconder!", afirmou o presidente no Twitter no início da tarde de sábado.

Trump parece admitir, com sua mensagem, que sabia que seu ex-assessor tinha mentido para o FBI. Um ponto muito sensível, porque na época da partida de Flynn, a Casa Branca só disse que ele tinha mentido para o vice-presidente, Mike Pence, sobre seus contatos com o embaixador russo em Washington.

A investigação do procurador especial independente Robert Mueller sobre a ingerência de Moscou na eleição presidencial americana de 2016 ameaça agora o 45º presidente. Se conseguir provar um conluio com a Rússia ou uma obstrução de justiça, não deve ser excluído um procedimento de destituição.

Por outro lado, um dos agentes mais experientes do FBI foi afastado da investigação sobre a ingerência de Moscou, após serem descobertas mensagens em que critica Trump, informaram neste sábado The Washington Post e The New York Times.

Peter Strzok, chefe-adjunto de contraespionagem do FBI, esteve até o último verão na primeira linha da investigação dirigida pelo procurador especial Robert Mueller, segundo ambos os jornais.

- Déficit público em alta -A sombra do caso russo deixou em segundo plano a aprovação da reforma fiscal.

Adotado por 51 votos contra 49, o texto agora deve ser harmonizado com a versão da Câmara de Representantes em 16 de novembro e aprovado novamente.

Ansioso por reivindicar uma vitória em um dos melhores dias de seu mandato até agora, Trump tuitou na manhã de sábado: "Estamos mais um passo perto de ENORMES cortes tributários para as famílias trabalhadoras em todo o país. Esperamos sancionar uma lei final antes do Natal!".

Todos os senadores republicanos, com uma exceção, votaram a favor da reforma, que teve a oposição dos 48 democratas. Antes da aprovação, duas emendas - uma democrata e uma republicana - foram incluídas, durante uma longa série de votações.

"As pessoas vão ficar muito, muito felizes", porque isso "é o que o país precisa", disse Trump mais tarde à imprensa quando abandonava a Casa Branca rumo a Nova York, embora as pesquisas anteriores à votação do senado tenham indicado que a reforma permanece sendo muito impopular.

Em Nova York, onde participou de uma reunião de arrecadação de fundos, dezenas de pessoas se manifestaram contra ele no sábado. "As reduções de impostos destroem vidas", dizia um cartaz.

Com essa reforma, o imposto das empresas, que é atualmente de 35%, passará a ser de 20%. Todas as categorias de contribuintes devem se beneficiar da redução dos impostos.

A batalha foi dura dentro do próprio campo republicano, que passou as últimas horas revisando sua proposta, em uma opacidade quase total, para satisfazer os senadores que ameaçavam não apoiá-la.

Apenas o senador republicano pelo Tennessee Bob Corker votou contra, porque, segundo ele, a lei aumenta de forma excessiva o déficit público.

Inicialmente, os promotores da reforma garantiram que os cortes de impostos se autofinanciariam graças a uma aceleração do crescimento, mas - segundo especialistas - aumentará em um trilhão de dólares a atual dívida pública de 20 trilhões de dólares.

A minoria democrata conseguiu manifestar apenas uma oposição simbólica. No que se refere ao fundo, denunciaram um texto que "rouba" a classe média, porque beneficia mais as empresas e os contribuintes com mais renda.

"Esta noite, o Tesouro federal foi saqueado!", lançou o senador Bernie Sanders.

"Os senadores republicanos traíram a classe média americana", denunciou a líder democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

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