ONU e CIDH pedem medidas 'audaciosas' do México para proteger jornalistas

México, 5 dez 2017 (AFP) - Embora o México tenha cumprido recomendações como criar um mecanismo de proteção a jornalistas e uma procuradoria especial para delitos contra comunicadores, o país ainda é cobrado a dar "passos audaciosos" em meio à crescente violência, advertiram nesta segunda-feira (4) relatores internacionais de liberdade de expressão da Organização das Nações Unidas e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

David Kaye e Edison Lanza, respectivamente relatores especiais sobre liberdade de expressão da ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), concluíram uma missão de uma semana para constatar as condições em que os jornalistas mexicanos trabalham.

"Percebemos um sindicato atemorizado em muitas partes do país, aterrorizado em alguns casos pelo que eles têm que viver e ver porque perderam colegas, porque foram objeto de diversas formas de violência, ou porque têm colegas desaparecidos", disse Lanza ao falar em coletiva coletiva sobre conclusões preliminares.

O México é considerado um dos países mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo, com mais de 200 comunicadores assassinados desde 2000, 11 deles em 2017, um dos anos violentos não somente para os jornalistas como para todo o país.

Esta missão se segue à realizada em 2010 que concluiu uma série de recomendações. O México cumpriu a implementação de um mecanismo de proteção a jornalistas e a criação de uma procuradoria especial que atende delitos contra comunicadores e defensores de direitos humanos.

No pronunciamento, contudo, os especialistas ressaltaram que o "México deve dar passos audazes" pois as agressões e os assassinatos de jornalistas continuam, e a impunidade continua sendo a regra: segundo defensores de direitos humanos, mais de 90% dos crimes contra jornalistas continuam impunes.

Um dos maiores problemas é que não há uma coordenação entre as autoridades estatais e federais para garantir a proteção dos comunicadores, especialmente nos estados em que ficam mais vulneráveis às ameaças do crime organizado.

"É o momento de realizar um esforço nacional para enfrentar o problema da violência contra jornalistas (...) Grande parte da violência ocorre no nível estatal ou local e, no entanto, é um problema nacional", disse Kaye.

Durante a visita, os relatores se reuniram com mais 250 comunicadores e defensores de direitos humanos, diretores de mídia, autoridades locais e federais, e visitaram cinco distritos.

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