Trump adia decisão sobre transferência de embaixada para Jerusalém

Washington, 4 dez 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, decidiu adiar a decisão sobre uma eventual transferência da embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, informou a Casa Branca nesta segunda-feira (4).

"O presidente foi claro: não é uma questão de 'se', mas uma questão de 'quando'. Mas nenhuma decisão será adotada hoje (segunda-feira) e faremos um anúncio nos próximos dias", afirmou o porta-voz Hogan Gidley.

Estava previsto que Trump se pronunciasse esta semana sobre o eventual traslado da embaixada americana a Jerusalém e seu reconhecimento como capital de Israel, provocando a reação do mundo muçulmano, que adverte sobre o risco de bloquear um acordo de paz com os palestinos.

"Grande catástrofe", "escalada", "violência": os aliados dos palestinos multiplicavam nesta seus alertas nesta segunda-feira (4).

Os palestinos têm pressionado líderes regionais para que eles se oponham à decisão de Washington, enquanto o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ameaçou com uma nova "intifada".

Modificar o estatuto "histórico" de Jerusalém causaria "uma grande catástrofe" e "colocaria fim ao processo de paz" entre israelenses e palestinos, declarou o porta-voz do governo turco Bekir Bozdag.

Essa decisão do governo americano "abriria o caminho a novos confrontos, novas disputas, mais instabilidade na região e acontecimentos imprevisíveis", disse.

A Jordânia advertiu os Estados Unidos sobre "as graves consequências" de um eventual reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, anunciou o ministério das Relações Exteriores jordaniano.

Essa decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém.

A posição jordaniana foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

Já o líder da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, afirmou que se decidirem abrir a embaixada americana em Jerusalém, isso poderá estimular o fanatismo e a violência na região.

"É lamentável que alguns insistam em dar esses passos, sem que importe o perigo que isso implica para a estabilidade do Oriente Médio e do mundo inteiro", expressou Abul Gheit à imprensa.

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a Trump sua "preocupação" com a possibilidade de traslado da embaixada, informou a presidência francesa em comunicado.

Durante uma conversa telefônica, "o presidente francês expressou sua preocupação sobre a possibilidade de que os Estados Unidos reconheçam unilateralmente Jerusalém como capital do Estado de Israel".

"Emmanuel Macron lembrou que a questão do status de Jerusalém deverá ser regulada no marco das negociações de paz entre israelenses e palestinos, aspirando especialmente a criação de dois Estados que vivam juntos em paz e em segurança com Jerusalém como capital", informou o Eliseu.

Se Trump anunciar o traslado da embaixada americana para Jerusalém, causará fúria no mundo árabe e complicará as tentativas de Jared Kushner nas negociações de paz que realiza entre israelenses e palestinos.

Kushner, de 36 anos e chefe da pequena equipe negociadora da Casa Branca, fez uma incomum aparição pública na qual deu um tom otimista às suas gestões para chegar a um acordo entre israelenses e palestinos.

"O presidente está analisando muitos fatos, e quando tomar sua decisão, será ele quem irá anunciá-la. Tenham certeza que o fará no momento certo", afirmou Kushner.

Em 1995, o Congresso americano adotou o "Jerusalem Embassy Act", que pede ao executivo a transferência da embaixada.

A lei é vinculante para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de "interesses de segurança nacional".

Trump deve decidir se adia ou não por mais seis meses os planos de trasladar a embaixada.

Todos os presidentes fizeram isso desde 1995 por considerarem que não era o momento para uma decisão dessa envergadura.

- Aliança de Israel e países sunitas? -Kushner trabalha lado a lado com funcionários israelenses e estabeleceu vínculos com os monarcas da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes.

O genro do presidente americano acredita que há uma oportunidade para a paz se países árabes sunitas da região se alinharem com Israel para enfrentar a ameaça do Irã, braço xiita do islã.

Kushner considera que um acordo entre israelenses e palestinos pode ser alcançado inclusive antes de um grande realinhamento de países.

"É preciso se concentrar em resolver o grande tema", disse ao público presente em um fórum realizado no domingo passado.

"A dinâmica regional desempenha um papel importante no que acreditamos que são oportunidades, porque vários desses países olham e dizem que querem a mesma coisa", afirmou. "E olham as ameaças regionais e acredito que veem Israel, que é tradicionalmente seu adversário, como um aliado muito mais natural que há 20 anos", acrescentou.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou neste fórum por videoconferência e também se referiu às possibilidades de reconciliação na região.

No entanto, pôs ênfase em considerar o Irã uma ameaça comparável à da Alemanha nazista por sua suposta determinação de "assassinar judeus".

Sua mensagem não teve muitas referências à questão palestina, mas fez alusão à paz regional, embora com prazos mais longos do que os que Kushner tem em mente.

"Tenho esperança no futuro. Hoje Israel é muito mais bem-vindo do que antes pelas nações do mundo", disse.

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