Veja o que aconteceu no Iêmen desde a saída do presidente Saleh

Sana, 4 dez 2017 (AFP) - Estes são os principais acontecimentos no Iêmen desde a saída do poder de Ali Abdullah Saleh.

- Hadi no poder -Em 27 de fevereiro de 2012, o presidente Saleh cedeu oficialmente o poder a seu sucessor, Abd Rabbo Mansur Al-Hadi, depois de 33 anos à frente do país.

O chefe de Estado resistiu durante meses a deixar seu cargo, apesar dos protestos contra ele durante a chamada Primavera Árabe. Finalmente, diante da pressão das monarquias do Golfo, aceitou um plano de transição que previa sua saída em troca da imunidade para ele e sua família.

- A rebelião em Sanaa -Em meados de 2014, a rebelião xiita dos huthis, que se consideravam marginalizados após a insurreição contra Saleh, lançou uma ofensiva de seu reduto de Saada, no norte do país.

Seus membros, procedentes da minoria zaidita - um braço do xiismo -, enfrentavam o poder central há uma década. Contam com o apoio do Irã xiita, que desmente qualquer envolvimento militar no Iêmen.

Em 21 de setembro de 2014, os rebeldes, aliados com poderosas unidades militares leais a Saleh, entraram em Sanaa e tomaram a sede do governo depois de vários dias de combates. O ex-chefe de Estado lutou contra os huthis em seis ocasiões durante sua Presidência.

Em 14 de outubro, os huthis conquistaram o porto de Hodeida, no oeste, antes de se dirigirem para o centro do país.

Em 20 de janeiro de 2015, tomaram o palácio presidencial de Sanaa.

Em 21 de fevereiro, o presidente Hadi fugiu da capital para Aden, a grande cidade do sul que proclamou capital provisória.

Em março, os huthis avançaram até o sul e se apoderaram de Aden. Seu líder, Abdel Malek al Huti, justificou a ofensiva pela necessidade de lutar contra os extremistas sunitas da Al-Qaeda e do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

- 'Tempestade decisiva' -Em 26 de março de 2015, nove países comandados pela Arábia Saudita lançaram a operação aérea "Tempestade decisiva" (que deu lugar à "Restaurar a esperança") para frear o avanço dos huthis. O presidente Hadi se refugiou em Riad.

Em 17 de julho, o governo anunciou a libertação da província de Aden, primeira ação bem-sucedida das forças do Estado apoiadas pela coalizão árabe dirigida pelos sauditas.

Até meados de agosto, as forças do governo reconquistaram cinco províncias do sul, mas tiveram dificuldades para garantir sua segurança diante da presença da Al-Qaeda e do EI.

Em outubro, as tropas do governo retomaram o controle do estreito de Bab al Mandeb, por onde transita boa parte do tráfego marítimo mundial, mas as ofensivas lançadas contra Sanaa foram desde então infrutíferas.

A guerra no Iêmen deixou mais de 8.750 mortos desde março de 2015, entre eles pelo menos 1.500 crianças, assim como 50.600 feridos, em sua maioria civis. O conflito provocou "a pior crise humanitária" do mundo, segundo a ONU. Uma epidemia de cólera deixou mais de 2.000 mortos e sete milhões de pessoas à beira da desnutrição que precisam de ajuda urgente.

- Divisões no governo -No fim de abril de 2017, o presidente Hadi destituiu o ex-governador de Aden Aidarus al Zoubaid.

Em 4 de maio, milhares de iemenitas do sul se manifestaram em Aden contra a autoridade de Hadi e estimularam o governador destituído a formar uma direção política para "representar o Sul", estado independente até 1990.

Em 11 de maio, Zoubaid anunciou a criação de um "Conselho de Transição do Sul", presidido por ele, para comandar as províncias meridionais do país.

- Confrontos entre rebeldes -Em 23 de agosto, a direção dos huthis chamou o ex-presidente Saleh de traidor por tê-los qualificado de milicianos. No dia seguinte, o ex-presidente reuniu centenas de milhares de pessoas na capital pelo 35º aniversário de seu partido, o Congresso Popular Geral (CPG).

Em 26 de agosto, as tensões entre os rebeldes deram lugar a confrontos no quais morreram um coronel próximo a Saleh e dois huthis.

- Ruptura da aliança rebelde -Em 29 de novembro, a crise entre Saleh e os huthis piora em Sanaa, onde explodem violentos combates entre os dois aliados com um balanço, até agora, de dezenas de mortos.

Em 2 de dezembro, Saleh propôs à Arábia Saudita "virar a página" se retirasse o estrito bloqueio imposto a seu país no início de novembro, depois que as forças sauditas interceptaram um míssil lançado pelos huthis até o aeroporto de Riad. As declarações de Saleh indignaram os huthis, que denunciaram um "golpe" do ex-presidente.

Em 4 de dezembro, o presidente Hadi ordenou a suas tropas recuperar Sanaa. Os huthis anunciaram pouco depois a morte do ex-presidente Saleh, de 75 anos.

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