Estudo vincula comportamento dos pais a risco de suicídio dos filhos

Miami, 5 dez 2017 (AFP) - Os adolescentes que sentem que seus pais raramente demonstram interesse por seu bem-estar emocional são mais propensos a cometer suicídio do que os que afirmam se sentir apoiados por eles, divulgaram pesquisadores americanos nesta terça-feira (5).

As descobertas, feitas por pesquisadores da Universidade de Cincinnati, surgem em um momento em que se observa um aumento na taxa de suicídios entre adolescentes nos Estados Unidos, causando preocupação entre os pais, educadores e especialistas da área de saúde.

Somente no último mês, uma menina de 10 anos do Colorado e outra de 13 da Califórnia se enforcaram. Seus pais argumentam que o assédio e o bullying sofridos por elas em suas respectivas escolas contribuiu na decisão de se suicidar.

"Os pais nos questionam todo o tempo: "O que podemos fazer?", disse Keith King, que coordena o programa de doutorado em Educação e Estímulo à Saúde da Universidade de Cincinnati.

"As crianças precisam saber que contam com o apoio de alguém e, infelizmente, muitas delas não sentem isso. É um problema importante", acrescentou.

King e sua colega, Rebecca Vidourek, analisaram uma pesquisa nacional feita em 2012 com pessoas de 12 anos ou mais, que revelou um vínculo significativo entre o comportamento dos pais e o suicídio de adolescentes.

O grupo etário mais afetado tinha entre 12 e 13 anos. Seus pais não os elogiavam ou ajudavam nas tarefas ou faziam isso raríssimas vezes. Esses teriam quase sete vezes mais possibilidades de planejar um suicídio ou cometê-lo.

Da mesma forma, os adolescentes de 16 e 17 anos teriam três vezes mais probabilidades de ter pensamentos suicidas e quase quatro vezes mais chances de planejar um suicídio ou tentar fazê-lo, se comparados com os adolescentes cujos pais expressavam ter orgulho dos filhos.

- "Muito interligados" -"Algo essencial [para evitar o suicídio] é assegurar que as crianças se sintam muito interligadas com seus pais e sua família", disse Vidourek, que atua como co-diretor do Centro de Ciências Preventivas, no qual trabalha com King.

Os adolescentes também podem ser mais propensos a experimentar drogas ou ter comportamentos sexuais de risco se os pais não estão presentes em suas vidas de forma adequada, ressaltou King.

Um informe dos Centros para o Controle e a Prevenção das Doenças dos Estados Unidos, divulgado no início desse ano, demonstrou que a taxa de suicídio entre os adolescentes em geral duplicou entre os anos de 2007 e 2015, tendo aumentado em 30% entre os meninos.

Os pesquisadores mencionam uma série de fatores que contribuem para o aumentar os riscos de suicídio, incluindo depressão e saúde mental, influências negativas das redes sociais, bullying, dificuldades financeiras, além da exposição à violência.

Então, o que os pais poderiam fazer para evitar os riscos?

"Podem dizer aos seus filhos que estão orgulhosos deles, que fizeram um bom trabalho, envolver-se com eles e ajudá-los em suas tarefas", acrescentou King.

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a conferência anual da Associação Americana de Saúde Pública, realizada em Atlanta.

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