Milhares de pessoas desafiam estado de sítio em Honduras

Tegucigalpa, 5 dez 2017 (AFP) - Com protestos e panelaços, milhares de pessoas desafiaram nesta terça-feira (5) o estado de sítio decretado em Honduras, ante as suspeitas de fraude nas eleições realizadas há nove dias que dão como vencedor o presidente Juan Orlando Hernández.

"O único caminho possível" para superar a crise é que acolham o pedido da oposição de revisarem mais de 5.000 cédulas, sentenciou o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, chefe dos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), após enumerar uma longa lista de problemas no processo eleitoral.

O candidato da oposição, o popular apresentador de televisão Salvador Nasralla, destacou que não pode "aceitar nunca" os resultados divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) e solicitou a revisão das 5.173 cédulas nas quais houve "fraude".

Os resultados "não são oficiais nem definitivos", insistiu na segunda-feira à AFP.

Com 99,98% das cédulas apuradas, Hernández, de 49 anos, aparece à frente com 42,98% dos votos, enquanto Nasralla, de 64 anos, obtinha 41,39%.

A proclamação do próximo presidente pode levar 22 dias enquanto se decidem possíveis impugnações, afirmou David Matamoros, presidente do TSE.

O governo decretou na sexta-feira estado de sítio e toque de recolher noturno para controlar os protestos que deixaram três mortos (uma jovem de 19 anos e dois policiais) e vários negócios roubados.

- Policiais cansados -À revolta popular pelo conturbado processo eleitoral se somaram centenas de policiais de elite e provisórios que dizem estar cansados de atacar a população.

"A verdade é que não queremos continuar brigando com o povo", afirmou à AFP um oficial que cobria o seu rosto com uma touca ninja em frente à sede do grupo especial antimotins "Cobra", no norte da capital.

"O que exigimos é que haja paz, que resolvam este problema e que não haja mais morte", acrescentou.

Em diferentes partes do país, os policiais foram recebidos na noite de segunda-feira com aclamações e aplausos. E milhares de pessoas protestaram levantando barricadas e batendo panelas.

O líder da aliança opositora, o ex-presidente Manuel Zelaya, denunciou à AFP que as cédulas alteradas teriam sido colocadas no sistema de apuração depois de uma série de interrupções do mesmo na quarta-feira passada, uma das quais durou cinco horas.

O ex-presidente do TSE Augusto Aguilar também afirmou que 5.000 cédulas entraram de forma irregular durante as interrupções do sistema informático de apuração e que "magicamente" deram a vitória ao presidente.

A Constituição de Honduras proíbe a reeleição presidencial, mas Hernández pôde se candidatar a um segundo mandato graças a uma polêmica sentença da Sala Constitucional da Suprema Corte de Justiça que lhe deu o aval.

Críticos do presidente o acusam de ter tomado o controle do máximo tribunal, colocando seus aliados para obter sentenças a seu favor.

A missão de observadores da União Europeia (UE) advertiu que o processo eleitoral não está finalizado.

"Por favor, não proclamem vencedores", pediu a coordenadora da missão, a eurodeputada portuguesa Marisa Matias.

Nesse contexto, os especialistas acreditam que o único caminho para a saída a esta nova explosão da crise política em Honduras, após o golpe de Estado de junho de 2009 contra o então presidente Manuel Zelaya, é que revisem as cédulas.

"Se revisarem as cédulas e esses votos, estarão avançando pelo caminho correto", apontou à AFP o analista em Direito Internacional Ernesto Paz Aguilar, ex-chanceler hondurenho.

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