Vladimir Putin será candidato para um quarto mandato em 2018

Moscou, 6 dez 2017 (AFP) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira que vai se candidatar para as eleições de março de 2018 para tentar um quarto mandato como chefe de Estado, o que o manteria no poder até 2024.

Este anúncio encerra vários meses de suspense do Kremlin sobre as intenções de Putin, no poder sem interrupção como presidente ou primeiro-ministro há mais de 17 anos.

"Eu anuncio minha candidatura para o cargo de presidente da Rússia", declarou Putin durante um encontro com operários de uma fábrica na cidade de Nijni Novgorod, transmitido ao vivo pela televisão.

"A Rússia continuará a avançar e, nesse movimento para frente, ninguém irá nos parar", lançou.

Poucas horas antes, o presidente manteve o suspense durante um Fórum de Voluntários de várias ONGs em Moscou, onde prometeu tomar "muito em breve" uma decisão sobre sua candidatura, que poucos observadores duvidavam.

"Eu estou sempre com vocês", havia dito enigmaticamente, respondendo a um voluntário que lhe perguntou se ele "continuaria" com os russos em 2018.

"É sempre uma decisão muito importante para qualquer pessoa, porque a motivação deve vir apenas da vontade de melhorar a vida neste país, de torná-lo mais poderoso e melhor protegido", acrescentou o presidente.

"Mas isso só pode ser alcançado com uma condição: se o povo confiar em você e lhe apoiar", acrescentou, antes de perguntar à multidão: "se eu tomar essa decisão, terei o seu apoio e o daqueles que lhes são próximos?".

A multidão respondeu com um sonoro "sim!", sob uma chuva de aplausos.

- O espinho Navalny -Muitos russos elogiam Putin, que se tornou presidente em 2000 em um país de poder instável e economia enfraquecida, por ter restabelecido a estabilidade e prosperidade na Rússia, graças a um importante maná de petróleo que durou anos. Seus críticos o repreendem por um recuo claro nos direitos humanos e nas liberdades.

Presidente da Federação Russa de 2000 a 20008, Putin foi mais tarde primeiro-ministro durante a presidência de Dmitri Medvedev, antes de ser eleito novamente como chefe de Estado em 2012. Ele já havia sido primeiro-ministro de Boris Yeltsin de 1999 a 2000.

O principal opositor ao Kremlin, Alexei Navalny, que pretende desafiar Putin nas eleições dentro de quatro meses, reagiu no Twitter com um comentário irônico sobre a longevidade política do presidente russo.

"Na minha opinião, é muito. Proponho que nos oponhamos", escreveu ele.

Carismático blogueiro anti-corrupção às vezes com toques nacionalistas, Navalny organizou duas poderosas manifestações contra o governo em março e junho. Ele recebeu muitas sentenças judiciais e passou vários períodos curtos em detenção.

No entanto, o seu futuro político é pouco claro: a comissão eleitoral excluiu a sua participação nas eleições devido a uma condenação por desvio de fundos públicos, o que ele denuncia como falsa e fabricada para distanciá-lo da disputa ao poder.

O principal partido pró-Kremlin, Rússia Unida, já anunciou sem surpresas que apoiará a candidatura de Putin, enquanto Viacheslav Volodin, o presidente da Duma - a Câmara baixa do Parlamento russo - declarou estar "feliz" com o anúncio do presidente.

O ex-dirigente da União Soviética Mikhail Gorbachev também comemorou a decisão de Putin. "Hoje a sociedade está a favor de que Vladimir Putin continue sendo presidente, e isso tem uma grande importância", declarou, segundo a agência de notícias oficial TASS.

"É um dia histórico, um dia de celebração para nós", escreveu o dirigente checheno Ramzan Kadyrov no Instagram.

A Otan recebeu a decisão de Putin com ironia. "Nós não interferimos nas eleições presidenciais russas, assim não tenho nada a dizer", declarou o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, em alusão às acusações de ingerência russa nas eleições europeias e americanas de 2016.

Putin deverá enfrentar nas eleições presidenciais os tradicionais candidatos do Partido Comunista e os nacionalistas do LDPR, bem como a estrela de televisão Ksenia Sobtchak, próxima da oposição e que espera atrair os votos dos russos insatisfeitos com a situação do país.

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