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Marcelo Odebrecht vai para prisão domiciliar após dois anos e meio na cadeia

19/12/2017 18h26

São Paulo, 19 dez 2017 (AFP) - O empresário Marcelo Odebrecht, envolvido no maior esquema de corrupção da história do Brasil, foi colocado nesta terça-feira (19) em prisão domiciliar em São Paulo após cumprir dois anos e meio na cadeia, em Curitiba.

Odebrecht, de 49 anos, cujas delações atingiram vários governos da América Latina, foi levado pela manhã em um carro com escolta até a sede da Justiça Federal, onde recebeu sua tornozeleira eletrônica. Depois viajou em um jatinho particular para o aeroporto de Jundiaí e, de lá, foi em um carro até a sua mansão no bairro do Morumbi, comprovaram jornalistas da AFP.

Em sua nova vida, junto com sua esposa, Isabela, e suas três filhas, poderá sair em ocasiões pontuais e receber um número muito limitado de visitas.

O ex-CEO da maior empreiteira da América Latina ainda deve cumprir sete anos e meio de sua sentença por organizar um megaesquema de propinas junto a políticos para ganhar contratos não apenas em seu país como em toda a região.

É neto do fundador e terceira geração de presidentes do grupo que formou um conglomerado com atividades em outros setores como engenharia, agricultura e petroquímica.

Sua ruína começou em 19 de junho de 2015, quando foi preso no âmbito da operação Lava Jato, acusado de pagar propinas a dezenas de políticos de todas as tendências para obter contratos com a estatal Petrobras.

Depois de resistir quase dois anos a uma chuva de acusações, o grupo concordou em revelar seus crimes para suavizar as sentenças e sobreviver.

As delações atingiram centenas de ministros, deputados e empresários da América Latina.

No Brasil, as suspeitas chegaram ao presidente Michel Temer e colocaram no banco dos réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No Peru, a investigação está prestes a provocar a destituição do presidente Pedro Pablo Kuczynksi e, no Equador, já levou à prisão o vice-presidente Jorge Glas.

No total, 77 executivos e ex-executivos assinaram um acordo de delação premiada e relataram os esquemas de corrupção. Desta forma, soube-se que dentro da empresa havia um departamento dedicado exclusivamente à movimentação desse dinheiro ilegal.

Marcelo Odebrecht conseguiu assim, reduzir para 10 anos sua sentença inicial de mais de 19 anos de prisão.

A empresa também se comprometeu a pagar uma multa de 2,6 bilhões de dólares aos governos do Brasil, Estados Unidos e Suíça.

- Família dividida -"Desde o momento em que decidiu, como opção existencial, colaborar, Marcelo se preocupou basicamente com duas coisas: com a progressão de regime, para voltar ao convívio familiar, e em tornar efetiva a sua colaboração", declarou em Curitiba o seu advogado, Nabor Bulhões.

Mas as festas de final de ano não deverão ser muito animadas, em uma família dividida pelo escândalo. De acordo com o jornal O Globo, Emilio visitou apenas duas vezes seu filho na prisão. Além disso, segundo Folha de S. Paulo, Marcelo também se distanciou de sua irmã e mãe.

Comparada à cela de 12 m2 de Curitiba, a nova prisão será de luxo: a casa tem 3.000 m2 e uma piscina gigantesca, segundo os jornalistas.

Marcelo Odebrecht passará lá dois anos e meio em um regime onde poderá receber 15 pessoas, além de seus advogados. Seguirão outros cinco anos de pena, a primeira metade com saídas diurnas autorizadas e os últimos dois anos e meio com a obrigação de permanecer em sua casa apenas durante os fins de semana.

- Novas revelações -O esqueleto desse gigantesco esquema de corrupção parece infinito.

O Cade, órgão de controle da concorrência no Brasil, revelou nesta terça-feira que investiga duas supostas formações de cartéis em licitação de infraestrutura e transporte ferroviário no estado de São Paulo. A investigação foi possível pelas confissões da Odebrecht, segundo o organismo.

Na segunda-feira, o Cade informou que outra grande empresa de construção, Camargo Corrêa, confessou ter formado um "clube" com outros oito grupos, incluindo a Odebrecht, para fraudar as licitações para a construção de linhas do metrô em oito estados.

Essas práticas se intensificaram entre 2008 e 2014, com os inúmeros projetos para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio em 2016.

- Odebrecht S.A: o desafio de sobreviver -Agora, Odebrecht enfrenta o desafio de sobreviver.

Em 2015, o grupo apresentou um volume de negócios de 39,1 bilhões de dólares e contava com 128.426 funcionários. Atualmente trabalham entre 75.000 e 80.000 empregados.

A Odebrecht S.A. empreendeu um processo de renovação e anunciou que, a partir de agora, o cargo de CEO não será ocupado por membros da família.

O patriarca Emilio Odebrecht, pai de Marcelo, anunciou na semana passada que deixará seu cargo de presidente do conselho administrativo em abril.

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