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Internacional

ONU supera divisões e prolonga ajuda humanitária à Síria

19/12/2017 17h06

Nações Unidas, Estados Unidos, 19 dez 2017 (AFP) - O Conselho de Segurança da ONU prolongou nesta terça-feira (19) por mais um ano a resolução que autoriza a entrega de ajuda humanitária a populações nas zonas rebeldes da Síria, apesar da abstenção da Rússia.

A resolução foi aprovada por 12 votos a favor e três abstenções: além de Moscou, principal aliado de Damasco, China e Bolívia também se abstiveram.

Para o embaixador sueco na ONU, Olaf Skoog, a aprovação do texto sem veto é "uma grande conquista" para o Conselho de Segurança. É "uma questão de vida ou morte para a população", estimou seu homólogo francês, François Delattre.

Este ano, o tema sírio tem dividido o Conselho de Segurança, com frequentes vetos da Rússia. Para ser aprovada, uma resolução deve contar com pelo menos nove votos a favor e não ser objeto de vetos de nenhum dos cinco membros permanentes, entre eles Rússia e China.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 3 milhões de pessoas dos 13 milhões que precisam de ajuda humanitária na Síria, se beneficiam da ajuda fornecida pela ONU e ONGs às populações que vivem em zonas rebeldes.

A resolução, redigida por Suécia, Japão e Egito, prevê uma renovação da entrega de ajuda através das fronteiras e das linhas de combate até 10 de janeiro de 2019. A pedido da Rússia, o texto solicita ao secretário-geral António Guterres "as recomendações sobre como fortalecer o mecanismo de controle da ONU" sobre esta assistência.

O texto, que, segundo um diplomata, "preserva o trabalho da ONU e das ONGs", pede a suspensão de todos os assédios e menciona Ghuta Oriental, perto de Damasco. Em novembro e no começo de dezembro, este bastião rebelde foi duramente bombardeado pelo regime, deixando dezenas de mortos.

Além disso, inclui uma referência às zonas de desescalada propostas pela Rússia e é "redigida com muita prudência e apresentada como um passo para o cessar-fogo total", segundo a mesma fonte diplomática.

- Situação catastrófica -Os países ocidentais querem a qualquer custo manter as Nações Unidas como canal único para encontrar uma solução política ao conflito sírio e acompanham com atenção os esforços diplomáticos e militares da Rússia que podem em última instância traduzir-se passar por cima da ONU.

"Não há alternativa ao processo da ONU em Genebra", disse nesta terça-feira o embaixador francês.

A resolução que permite os comboios prescindir de toda autorização do regime sírio não é do agrado da Rússia. Moscou considera que "mina a soberania da Síria". A situação sobre o terreno "mudou radicalmente" nos últimos três anos, disse o embaixador-adjunto russo na ONU, Vladimir Safronkov.

Durante as negociações, Moscou pediu um maior controle das cargas, das entregas e de seus destinos. A ajuda pode ocultar a entrega de armas ou ser vendida no mercado negro, teme a Rússia.

As críticas da Rússia a esta resolução da ONU surgem em um momento em que o presidente russo, Vladimir Putin, considera que ganhou a guerra contra o grupo extremista Estado Islâmico.

A evolução sobre o terreno "não reduziu as necessidades humanitárias", replicou Delattre nesta terça-feira, enquanto falou em uma situação "catastrófica" na Ghuta Oriental.

Os países ocidentais pedem para não "politizar este tema" enquanto as negociações entre regime e oposição fracassaram em Genebra.

A resolução sobre a ajuda humanitária transfronteiriça e nas linhas de combate na Síria existe desde 2014.

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