'Não se vendam por um punhado de dólares', pede Erdogan

Ancara, 21 dez 2017 (AFP) - A Turquia pediu à comunidade internacional, nesta quinta-feira (21), que "não se venda" por "um punhado de dólares", depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou cortar a ajuda financeira, antes da votação de um projeto de resolução sobre Jerusalém na ONU.

"Sobretudo, não vendam sua vontade [democrática] por um punhado de dólares. Os dólares voltarão, mas uma vontade que foi vendida não voltará nunca", declarou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante discurso em Ancara.

Trump ameaçou cortar a ajuda aos países que votam ainda hoje, na Assembleia Geral da ONU, uma resolução que condena o reconhecimento - por parte dos Estados Unidos - de Jerusalém como capital de Israel.

"Deixem que votem contra nós. Economizaremos um montão. Não nos importa", afirmou Trump.

"Senhor Trump, nunca conseguirá comprar a vontade democrática da Turquia em troca de dólares. Nossa decisão está clara", afirmou o presidente turco.

Erdogan é um dos críticos mais ferrenhos da decisão anunciada em 6 de dezembro por Trump.

Na semana passada, Recep Erdogan convocou em Istambul uma cúpula da Organização da Cooperação Islâmica (OCI). Em seu encerramento, seus 57 membros proclamaram Jerusalém Oriental como "capital" de um "Estado palestino" e pediram ao restante dos países para fazer o mesmo.

O texto de resolução examinado nesta quinta na Assembleia Geral foi proposto pelo Iêmen e pela Turquia em nome do grupo de países árabes e da OCI.

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