Venezuela soma 69 veículos de mídia fechados e agressões a jornalistas

Caracas, 27 dez 2017 (AFP) - Emissoras de rádio e TV tiradas do ar e jornais sem papel: 69 meios de comunicação fecharam na Venezuela em 2017 em meio a uma escalada de agressões contra jornalistas, denunciou o principal sindicato do setor nesta quarta-feira (27).

A lista inclui 46 rádios, três emissoras de televisão e 20 jornais, detalhou o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP, em espanhol) em seu balanço anual.

O SNTP registrou 498 agressões e 66 detenções contra jornalistas este ano, e atribuiu ao governo a "intenção" de "silenciar, a qualquer preço, o descontentamento pela cada vez mais crítica situação econômica e social", com hiperinflação e escassez aguda de alimentos e remédios.

A cifra aumentou 26,5% com relação a 2016, quando foram contabilizados 360 ataques, acrescenta o relatório.

O sindicato também denunciou nesta quarta-feira que dois repórteres do meio de comunicação regional Unicable TV, em Margarita (norte), foram retidos por três horas por agentes da militarizada Guarda Nacional quando cobriam um protesto pelo desabastecimento de comida.

Segundo o SNTP, a maior parte das agressões (273 dos 498 casos) ocorreu durante os protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que deixaram 125 mortos, das quais 70% foram atribuídas a militares e policiais.

"Utilizando o braço e as armas da Guarda Nacional e as polícias regionais e municipais, a burocracia oficial tentou invisibilizar o conflito", acrescentou.

A Relatoria para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos fez "um chamado urgente" este ano a restabelecer as transmissões das emissoras de rádio e TV "retiradas do ar", e qualificou as medidas como um "castigo" por sua "linha editorial crítica".

O governo se declara vítima de "uma campanha de desprestígio" em meios locais e estrangeiros.

O fechamento de meios audiovisuais tem como causa o vencimento de suas concessões para o uso do espaço radioelétrico, que a imprensa denuncia ser concedida arbitrariamente.

No entanto, os jornais sofrem a escassez do papel, cuja importação e distribuição estão monopolizadas por uma corporação governamental.

Cerca de 20 jornais se viram obrigados a suspender suas tiragens permanente ou temporariamente, e de acordo com o SNTP todos os jornais que restam tiveram que limitar sua paginação e circulação.

Meios internacionais também se viram afetados. A cadeia CNN em Espanhol e as televisões colombianas Caracol TV e RCN foram retiradas da grade de programação das operadoras a cabo por ordem do governo.

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