Atentado contra centro cultural xiita em Cabul deixa 41 mortos

Cabul, 28 dez 2017 (AFP) - Ao menos 41 pessoas morreram e 84 ficaram feridas nesta quinta-feira em um atentado contra um centro cultural xiita de Cabul.

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado em um comunicado difundido por sua agência de propaganda Amaq.

O ataque foi cometido três dias depois de um atentado suicida perto da sede da agência de inteligência afegã na capital que deixou seis mortos.

O local do atentado "recebe apoio do Irã e é um dos principais centros xiitas de Cabul", afirmou o grupo Estado Islâmico.

Os talibãs negaram anteriormente envolvimento no atentado desta quinta-feira, que também atingiu a Agência Voz Afegã, um meio de comunicação próximo ao local do ataque.

"O alvo do ataque era o centro cultural Tabayan. Uma cerimônia acontecia para recordar o 38º aniversário da invasão soviética do Afeganistão no momento da explosão", afirmou à AFP o porta-voz adjunto do ministério do Interior, Nasrat Rahimi.

A explosão foi seguida por outras duas, menos potentes, que não deixaram vítimas.

"Há 41 mortos e 84 feridos, incluindo mulheres e crianças", afirmou o porta-voz do ministério da Saúde, Waheed Majrod falando à imprensa.

O ministro delegado da Saúde, Ghulam Mohamad Paikan, de entrevista ao canal Tolo, afirmou que as mortes ocorreram em consequência das queimaduras provocadas pelo atentado.

"Estávamos no corredor, na segunda fileira, quando a explosão aconteceu atrás. Eu não vi o homem-bomba. Depois da explosão, havia fogo e fumaça dentro do prédio e todos pediam ajuda", afirmou Mohamad Hasan Rezayee, um estudante que ficou ferido no rosto e nas mãos.

"Foi o caos. Todos gritavam e choravam. As pessoas se tornaram vítimas do pânico. Todos pediam ajuda", completou.

Rezayee afirmou que entre as vítimas estão mulheres e crianças.

As fotografias publicadas na página do Facebook da agência Voz Afegã mostram a redação transformada em uma pilha de escombros e alguns corpos no chão.

No hospital Istiqlal, dezenas de vítimas, quase todas hazaras, a única etnia xiita do Afeganistão e reconhecida por seus traços asiáticos, demonstravam desespero, segundo constatou a AFP. Outros criticavam um governo, incapaz de protegê-los.

"Os terroristas voltaram a cometer crimes contra a humanidade atacando mesquitas, lugares santos e centros culturais. Seus crimes são imperdoáveis", estimou o presidente afegão Ashraf Ghani em comunicado.

Uma comissão investigará "posibles negligências de policiais" que "permitiram que os terroristas atacassem o centro", declarou o porta-voz do ministério do Interior, Najib Danish, em entrevista coletiva.

- 'Ataque de ódio' -As forças americanas no Afeganistão condenaram o "ataque de ódio" por meio do porta-voz da operação Resolute Support, o tenente-coronel Kone Faulkner, no Twitter. A embaixada americana em Cabul, em um comunicado, condenou um atentado suicida "horrível e indiscriminado".

A Casa Branca declarou que "os inimigos do Afeganistão não triunfarão em suas tentativas de destruir o país e dividir o povo afegão".

Um porta-voz da União Europeia lamentou "um ataque contra a liberdade de expressão e a democracia" com "jornalistas entre as vítimas".

Este foi o mais recente de uma longa lista de atentados em Cabul, uma das cidades mais perigosas do planeta. No dia 31 de maio, um caminhão-bomba matou 150 pessoas e deixou 400 feridos na capital do Afeganistão.

Hoje em Cabul, assistimos a um novo crime odioso em um ano já marcado por inonimáveis atrocidades", expressou Toby Lanzer, o responsável pela missão da ONU no Afeganistão. O conflito deixou 1.700 mortos civis nos seis primeiros meses do ano, um recorde segundo a ONU.

Os extremistas do EI, que já reivindicaram neste mês outros dois atentados na capital, multiplicam seus ataques no Afeganistão, especialmente contra a minoria xiita em Cabul.

O grupo extremista Estado Islâmico (EI), que reivindicou o atentado de segunda-feira perto da sede do serviço de inteligência, executou recentemente vários ataques no Afeganistão, sobretudo contra a minoria xiita em Cabul. Os talibãs também atacam regularmente as forças de segurança do país.

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