PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Novas retiradas humanitárias em zona rebelde na Síria

28/12/2017 09h51

Duma, Siria, 28 dez 2017 (AFP) - Doze pessoas conseguiram sair de Ghuta Oriental, perto de Damasco, na noite de quarta-feira (28), uma zona rebelde cercada pelo governo sírio e que vive uma grave crise humanitária.

Esse número é bem menor do que as centenas que, segundo a ONU, deveriam ser retiradas por razões médicas desse território.

Na terça à noite, o Crescente Vermelho e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) evacuaram quatro pacientes em estado crítico, incluindo três crianças da Ghuta Oriental.

Uma nova retirada de 12 pessoas aconteceu na quarta-feira, disse hoje à AFP a porta-voz do CICR na Síria, Ingy Sedki.

"Ontem [quarta-feira], retiramos 12 doentes, a maioria crianças, com seus familiares. A maioria tem câncer", relatou, acrescentando que serão levados para a capital, Damasco.

Até agora, 16 pacientes de Ghuta Oriental foram beneficiados por essa operação de retiradas por questões de saúde, mas o CICR espera que outros possam sair "em breve".

Na sede do Crescente Vermelho sírio, em Duma, um correspondente da AFP registrou a passagem de um grupo de 12 enfermos, acompanhados de seus familiares e à espera de ambulâncias, na quarta à noite.

Em um dos veículos, Abdel Rahman, um bebê de sete meses, dormia nos braços da mãe, ligado a um aparelho de respiração artificial.

Enquanto isso, um dos socorristas tentava animar um garoto de menos de um ano para, então, colocá-lo na ambulância.

A ONU pede a retirada de cerca de 500 doentes, mas, com os atrasos e os bloqueios da operação, 16 pessoas não resistiram e faleceram desde novembro.

Cerca de 400 mil habitantes da Ghuta Oriental estão presos nessa região, ao leste de Damasco, sitiadas desde 2013 pelas tropas do governo de Bashar Al-Assad, em meio a uma grave escassez sanitária e de alimentos.

Tanto as evacuações médicas quanto a chegada de ajuda humanitária em Ghuta Oriental podem ser realizadas apenas com a autorização do governo sírio. Com o apoio militar de Rússia e Irã, Damasco conseguiu retomar o controle da maioria dos territórios conquistados pelos rebeldes.

Segundo o grupo rebelde de Ghuta, Jaish al-Islam, firmou-se um acordo com o governo Assad para que essas retiradas possam acontecer.

"Aceitamos a libertação de certo número de prisioneiros em troca da retirada dos casos humanitários mais urgentes", afirmou, acrescentando que cinco trabalhadores, detidos em março, conseguiram deixar Ghuta.

Último reduto da rebelião perto de Damasco, Ghuta faz parte das quatro "zonas de distensão" definidas em março por Rússia e Irã, aliados do governo, e por Turquia, que apoia os rebeldes, para tentar chegar a um cessar-fogo na Síria. Recentemente, porém, o governo intensificou seus bombardeios nessas áreas.

Internacional