Pescador norte-coreano é acusado de roubo no Japão

Tóquio, 28 dez 2017 (AFP) - O capitão de um pequeno barco pesqueiro norte-coreano foi acusado nesta quinta-feira (28), no Japão, do roubo de diversos objetos em uma ilha japonesa desabitada, onde ele e sua tripulação se refugiaram de um temporal no início de dezembro.

O homem, de 45 anos, será julgado por um tribunal japonês por ter roubado cerca de 40 objetos de um valor estimado em 42.000 euros, incluindo eletrodomésticos e painéis solares, segundo a cadeia pública NHK.

"Tudo que era de metal desapareceu, inclusive fechaduras e dobradiças", declarou, falando ao canal japonês Fuji TV, na ocasião da descoberta do roubo Shusaku Yoshida, segurança do local usado como abrigo por pescadores.

"Também levaram dois televisores, três geladeiras, uma máquina de lavar, um forno micro-ondas, dois aparelhos de som, um DVD player, uma serra elétrica, uma frigideira, uma moto e um gerador elétrico", acrescentou.

Outras autoridades japonesas também informaram sobre o desaparecimento de painéis solares, cobertores e até um pôster de um desenho animado.

As investigações sobre o roubo levaram a uma modesta embarcação de madeira nas proximidades da ilha de Matsumae Kojima, que fica a 20 km da grande ilha de Hokkaido (norte do Japão).

Nove pescadores foram presos, e alguns confessaram os fatos.

Pyongyang faz seus pescadores se aventurarem no mar do Japão para tentar obter melhor pesca, e eles acabam expostos a vários riscos, devido às péssimas condições de suas embarcações.

As autoridades japonesas já encontraram vários barcos à deriva, ou encalhados, com pescadores sem vida a bordo.

Em novembro, a Guarda Costeira japonesa registrou 28 casos, um recorde mensal desde que começou a recolher esses dados, em 2014.

Em 2017, esse órgão socorreu 42 naufrágios, o que já constitui um recorde anual.

Desde sua chegada ao poder em 2013, Kim Jong-un ordenou aumentar a produção nacional de pesca.

"Os pescadores norte-coreanos tentam desesperadamente cumprir metas de pesca a cada ano mais volumosas", disse à AFP o especialista em Coreia do Norte Toshimitsu Shigemura, professor emérito da Universidade Waseda de Tóquio.

O fenômeno se amplificou devido à crise alimentar sofrida pelo país, consequência em parte do reforço das sanções internacionais consecutivas e dos testes nucleares e balísticos da Coreia do Norte, afirmam os observadores.

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