Veneno que matou criminoso de guerra bósnio-croata era 'indetectável'

Haia, 31 dez 2017 (AFP) - O veneno ingerido pelo criminoso de guerra bósnio-croata Slobodan Praljak, que se suicidou em plena audiência no Tribunal Penal internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY), não era de modo algum detectável, anunciou a corte neste domingo, após publicar uma investigação interna.

"Não existe nenhuma medida que poderia ter detectado o veneno em qualquer fase", afirmou o juiz Hassan Jallow em um comunicado.

O tribunal abriu uma investigação interna sobre a morte de Slobodan Praljak, que se suicidou em 29 de novembro ingerindo cianeto em plena sala de audiências onde era julgado e ao vivo diante das câmeras, depois de ter sido condenado a 20 anos de prisão por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

"Minha investigação não revelou nenhuma lacuna no marco jurídico do TPIY", continuou o juiz, afirmando que "os agentes do TPIY e do centro de detenção [de Haia onde Praljak estava detido] respeitaram as regras".

"O pequeno tamanho do frasco [que continha o veneno], os limites nas normas de revista invasivas e a natureza do equipamento de detecção disponível no centro penitenciário e nos locais do TPIY contribuíram para dificultar a detecção do líquido", acrescentou o juiz, que foi assessorado por especialistas independentes durante a investigação.

A operação da procuradoria holandesa, ainda em andamento, que foi solicitada pelo TPIY após o incidente, busca determinar como Praljak pôde obter e introduzir no tribunal o frasco com cianeto.

"Não é possível adquirir legalmente o cianeto nem fabricá-lo ilegalmente com produtos disponíveis no centro de detenção", argumentou o juiz.

Para evitar que este tipo de incidentes se repitam, Hassan Jallow transmitiu recomendações "relativas às revistas" e recomendou "cursos de formação para o pessoal de segurança que serão compartilhados com outros tribunais".

O suicídio de Praljak, de 72 anos, aconteceu durante a leitura da sentença no julgamento de apelação contra seis ex-dirigentes e ex-chefes militares bósnio-croatas, acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito entre croatas e muçulmanos (1993-1994) como parte da guerra da Bósnia.

De pé, em frente aos juízes, Praljak viu como o tribunal confirmava sua condenação e com a voz firme disse: "Slobodan Praljak não é um criminoso de guerra, rejeito seu veredito", tirou um frasco e bebeu seu conteúdo. Ele morreu horas depois de um ataque cardíaco.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos