Primavera de Praga: o sonho destruído pelos tanques soviéticos

Paris, 2 Jan 2018 (AFP) - Impulsionada pela chegada ao poder na Tchecoslováquia de Alexander Dubcek, em janeiro de 1968, a esperança de um "socialismo com rosto humano" foi encarnada em uma "Primavera de Praga", antes de ser silenciada pelos tanques soviéticos.

- Dubcek, o 'socialismo com rosto humano'Em 5 de janeiro de 1968, o reformista Alexander Dubcek, de origem eslovaca, é eleito primeiro-secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia (PCT) para substituir o impopular Antonin Novotny.

Este último também foi substituído em 30 de março à frente do Estado pelo general Ludvik Svoboda.

No processo, o PCT adota uma nova direção e endossa um "programa de ação" preparando o caminho para um "socialismo com rosto humano", reconhecendo o direito à livre expressão e uma economia mais liberal.

Em 8 de abril, um governo de "centro-esquerda" é estabelecido e assumido pelo economista Oldrich Cernik.

- Imprensa livre - A imprensa ganha gradualmente liberdade. A população recebe a primeira edição da revista "Literarni listy", da União dos Escritores, com vários artigos assinados por autores anteriormente censurados.

"Em alguns meses, uma das imprensas mais aborrecidas e monótonas do mundo, transformou-se em um espelho fascinante de uma sociedade em plena crise de libertação e convalescença", escreveu a AFP em 14 de abril.

A censura prévia será oficialmente abolida no final de junho.

- Crise com os vizinhos -Mas este "socialismo com rosto humano" reivindicado por Dubcek é rejeitado pelos "ortodoxos" tchecoslovacos e enfrenta a hostilidade aberta dos líderes do Kremlin, ansiosos em manter o controle de um satélite em uma posição estratégica.

Em maio, tomado pelo "medo do contágio", a Alemanha Oriental (RDA) denuncia "a contrarrevolução" de Praga.

Na URSS, a Pravda castiga os "elementos antissocialistas".

A crise se agrava em meados de julho, quando os partidos dos "irmãos" do Pacto de Varsóvia (URSS, Alemanha Oriental, Polônia, Hungria e Bulgária) exigem da Checoslováquia uma "ofensiva resoluta contra as forças antissocialistas" e o fim da liberdade de imprensa.

Em sua "carta de Varsóvia", eles exigem o estabelecimento de tropas do Pacto na fronteira entre a Checoslováquia e a RFA.

Na Checoslováquia, a presença, desde o final de maio, de tropas soviéticas que se arrasta após manobras conjuntas, faz surgir o espectro da crise húngara quando, no final de 1956, o Exército Vermelho esmaga uma insurreição.

As conferências de Cierna nad Tisou e Bratislava no final de julho - início de agosto dão aos líderes checoslovacos a esperança de que os parceiros do bloco socialista tenham reconhecido a profunda evolução do país. Não se passa bem assim.

- Repressão da Primavera -Em 20 de agosto às 23H00, cerca de 200.000 soldados - que logo depois aumentam para 600.000 - vindos da RDA, Hungria, Bulgária, Polônia e, sobretudo, da URSS -invadiram a Checoslováquia de surpresa, afogando sem problemas os poucos focos de resistência.

No dia seguinte, um jornalista da AFP no local testemunha: "A tensão continua alta, às 7h30, perto do prédio da rádio de Praga, cercado, como o Comitê Central e o Palácio Hradcany, pelos veículos blindados soviéticos (...) ninguém entende esta intervenção - o estupor está pintado em todos os rostos".

Desde o início da invasão, os principais líderes, incluindo Dubcek e Cernik, foram levados à força para o Kremlin diante da liderança soviética, que os convocou para assinar o "Protocolo de Moscou", uma ordem que coloca a Checoslováquia sob sua tutela e ratifica a Ocupação soviética.

A intervenção fará, em quatro meses, mais de uma centena de mortes.

- A "normalização" -Em 16 de janeiro de 1969, um estudante de 20 anos, Jan Palach, ateia fogo em si mesmo na praça Venceslas no coração de Praga para despertar as consciências de seus compatriotas.

"O gesto espetacular fio decidido por um grupo e Jan Palach foi escolhido numa disputa de sorte", revelou a AFP. Ele morreu três dias depois.

Em 17 de abril, Dubcek é definitivamente tirado do posto de primeiro-secretário por Gustav Husak.

O homem de confiança de Moscou vai liderar o processo de "normalização", com expurgos em massa, proibição de viagens para o Ocidente e a criação do "crime contra a economia socialista".

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