Quase 100 presos foragidos após rebelião que deixou nove mortos em Goiás

Rio de Janeiro, 2 Jan 2018 (AFP) - Noventa e nove presos continuavam foragidos nesta terça-feira (2) depois da brutal rebelião que começou no primeiro dia de 2018 em uma prisão de Goiás deixando nove mortos, todos carbonizados e dois deles também decapitados, assim como nove feridos, informaram as autoridades.

A rebelião ocorreu às 14h00 de segunda-feira no Complexo de Aparecida de Goiânia por um aparente confronto entre facções do crime organizado, trazendo à tona a lembrança da terrível rebelião que deixou 56 mortos no início do ano passado em um complexo penitenciário de Manaus.

O episódio deste 1º de janeiro ocorreu em uma zona de regime semiaberto quando "a ala C invadiu as demais alas e iniciou os atos de barbárie contra seus rivais", explicou nesta manhã em coletiva o superintendente de administração penitenciária de Goiás, o tenente-coronel Newton Castilho.

"Houve feridos, muitos corpos foram carbonizados, dois tiveram a cabeça decepada", acrescentou o funcionário ao assegurar que a briga, na qual presos queimaram um pavilhão, aconteceu por "divergência entre atuação no mundo do crime de tráfico de drogas".

Seis dos internos feridos continuam hospitalizados, um deles com cuidados intensivos.

A rebelião de Goiânia, novo reflexo da guerra entre grupos rivais nos superlotados presídios do país, foi acompanhada por uma fuga em massa dos presos.

Embora inicialmente as autoridades tenham reportado um número menor de foragidos, 242 internos conseguiram escapar da prisão ao fazer um buraco em um muro.

Depois de dezenas de recapturas, as autoridades asseguram que atualmente 99 permanecem foragidos.

A guerra nos presídios entre as duas principais facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, e suas ramificações, deixou mais de 100 mortos no ano passado.

Os principais massacres carcerários de 2017 aconteceram em Manaus (56 mortos), Roraima (33) e Natal (26).

O Brasil soma a terceira maior população carcerária do mundo, com 726.712 presos, segundo os últimos dados oficiais de junho de 2016. A cifra quase duplica a capacidade das prisões do país, calculada em 368.049 lugares para 2016.

A superpopulação nas cadeias muitas vezes insalubres, que operam até 197% acima de sua capacidade, é vista pelos especialistas como o ambiente ideal para o domínio das facções, que têm nos presídios os seus centros operacionais.

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