Ex-chefe de campanha de Trump denuncia procurador-especial dos EUA

Washington, 4 Jan 2018 (AFP) - O advogado Paul Manafort, ex-chefe da campanha presidencial de Donald Trump, denunciou nesta quarta-feira ao Departamento de Justiça o procurador-especial Robert Mueller, que investiga a suposta colusão com a Rússia.

Manafort acusa Mueller de exceder seu mandato, em uma ação que poderá alterar o rumo de um escândalo que persiste como uma nuvem negra sobre a Casa Branca, um ano após o triunfo eleitoral de Trump.

O ex-chefe de campanha de Trump, condenado à prisão domiciliar há dois meses por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, afirma que o procurador-especial recebeu uma autoridade excessivamente ampla para levar adiante sua investigação sobre a suposta colusão com a Rússia.

Manafort alega ainda que Mueller se afastou de seu mandato ao apresentar denúncias relacionadas ao seu trabalho como defensor dos interesses do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich durante vários anos, antes de assumir a campanha de Trump.

"Esta investigação sobre o senhor Manafort está completamente alheia à jurisdição original do procurador-especial para investigar laços ou coordenação entre o governo russo e pessoas associadas à campanha" de Trump, assinala a denúncia.

A ligação de Manafort com Yanukovich "não tem qualquer relação com a campanha presidencial de 2016 ou com Donald Trump".

Advogado que fez fortuna como consultor político, Manafort foi recrutado para a campanha presidencial de Trump em junho de 2016, mas renunciou dois meses depois, quando vazou na Ucrânia que teria recebido mais de 12 milhões de dólares de Yanukovich.

No dia 30 de outubro passado, Manafort foi acusado de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionadas aos valores recebidos de Yanukovich.

Manafort, 68 anos, alega que a relação com Yanukovich se deu em meados da década de 2000, o que a deixa fora do alcance da investigação de Mueller.

Mueller, ex-diretor do FBI, foi nomeado pelo vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, para investigar a suposta colusão entre o comitê eleitoral de Trump e funcionários russos para influenciar o resultado da votação.

Esta denúncia pode prejudicar a capacidade de Mueller de investigar as finanças do próprio presidente Trump, em especial seus acordos comerciais com investidores russos.

Em julho passado, o próprio Trump disse que suas finanças eram uma "linha vermelha" que Mueller não deveria cruzar.

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