Mudjahedines do Povo, os acirrados opositores do governo do Irã

Paris, 3 Jan 2018 (AFP) - A Organização dos Mudjahedines do Povo Iraniano (PMOI), com sede na França, é formada por acirrados opositores ao governo iraniano e o presidente Hassan Rohani os considera um grupo terrorista, envolvido, segundo ele, nas recentes manifestações no país.

- Fundação do Irã -A PMOI foi criada em 1965 com o objetivo de derrubar o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi e, mais tarde, o regime islâmico.

A PMOI, de inspiração marxista, nasceu de uma cisão dentro do Movimento de Libertação do Irã (MLI, nacionalista) liderada por Mehdi Bazargan.

A maioria de seus fundadores morreu nas prisões do xá.

Depois de um breve período de legalidade, quando explodiu a Revolução Islâmica, em 1979, a PMOI foi declarada ilegal em 1981 depois de uma manifestação duramente reprimida.

- Exílio forçado -Em junho de 1981, um atentado contra a sede do Partido da República Islâmica, que deixou 74 mortos, entre eles o aiatolá Behechti, número dois do regime, foi atribuído pelas autoridades aos mudjahedines.

Expulsos do irã, os membros da organização encontraram refúgio em vários países do mundo, principalmente na França, onde se instalaram na localidade de Auvers-sur-Oise, perto de Paris, com seu chefe Massud Radjavi, que criou então o Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI).

Em 1986, Massud Radjavi foi expulso da França, cujo governo havia iniciado uma política de aproximação com o Irã.

- Operações armadas -Mais tarde, os mudjahedines se implantam no Iraque, então em guerra com o Irã, e lutam junto a Sadam Hussein, o que os levou a serem classificados de traidores pelo poder iraniano.

Quando termina a guerra Irã-Iraque (1980-88), o grupo lançou uma ofensiva militar contra o Irã, e tomou o controle de várias cidades na fronteira. Mas a ofensiva foi arrasada pelas forças armadas iranianas.

Desde 1989 a PMOI é dirigida por Maryam Radjavi, que se faz chamar "Sol da Revolução".

A organização foi comparada a uma seita e o casal formado por Massud e Maryam Radjavi seriam seus gurus. Em 1993, Maryam Radjavi foi nomeada chefe do CNRI.

Em 1987, a OMPI criou seu braço armado, o Exército Nacional do Irã, e reivindicou várias operações, entre elas um ataque contra oleodutos em 1993 e outro contra o mausoléu do imã Khomeini, perto de Teerã. Também são acusados por dezenas de assassinatos.

Quando, em 2003, Sadam Hussein caiu no Iraque, os mudjahedines foram desarmados e levados para o campo de Achraf, noroeste de Bagdá.

Em fevereiro de 2012 aceitaram abandonar o campo para se instalar perto de Bagdá. E, em maio de 2013, a pedido das autoridades americanas e da ONU, abandonaram o Iraque e partiram para a Albânia.

- Atividade na França -Em 2003, Maryam Radjavi foi detida na França junto a outras 160 pessoas. Duas semanas depois, foi libertada depois de vários protestos e duas imolações.

A investigação de Maryam Radjavi por atividades terroristas terminou em 2014.

Em janeiro de 2009, a OMPI foi retirada da lista de organizações terroristas da União Europeia, onde figurava desde 2002. Os Estados Unidos fizeram a mesma coisa em 2012.

Em julho de 2015, Maryam Radjavi expressou sua oposição ao acordo entre o Irã e as grandes potências sobre o acordo nuclear de Teerã.

Em outubro de 2015, Radjavi acusou a comunidade internacional de ser complacente com o Irã sobre a questão da pena de morte.

Por sua parte, o Irã protestou, em julho de 2016 ante a França, pela reunião anual da CNRI, a quem acusa de ter "as mãos manchadas de sangue do povo iraniano".

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