Presidência palestina diz que Jerusalém não está à venda, após ameaças de Trump na/jlr/mib/gk/pc.zm/cn

Ramallah, Territórios palestinos, 3 Jan 2018 (AFP) - A presidência palestina afirmou nesta quarta-feira que Jerusalém não está à venda, em referência à ameaça do presidente americano Donald Trump de cortar a ajuda financeira americana de 300 milhões de dólares aos palestinos, aos quais acusa de negociar com Israel.

"Jerusalém é a capital eterna do Estado da Palestina e não está à venda em troca de ouro ou de milhões", afirmou à AFP Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina.

Na véspera, Trump ameaçou cortar a ajuda de centenas de milhões de dólares dos Estados Unidos aos territórios palestinos, ao admitir implicitamente que as negociações com Israel estão estagnadas.

"Pagamos aos palestinos CENTENAS DE MILHÕES DE DÓLARES todo ano e não recebemos qualquer reconhecimento ou respeito", tuitou Trump. "Mas como os palestinos já não estão dispostos a negociações de paz, por que devemos fazer esses enormes pagamentos?", questionou.

Em 2016, os Estados Unidos destinaram 319 milhões de dólares de ajuda aos palestinos através de sua agência de fomento ao desenvolvimento (USAID).

A este valor se somam 304 milhões de dólares concedidos por programas das Nações Unidos aos territórios palestinos.

Em seu tuíte, Trump não especificou qual ajuda será eventualmente suspensa.

Em uma sequência de mensagens, Trump apontou que seu governo "retirou da mesa (de negociação) Jerusalém, o aspecto mais difícil da negociação".

No dia 6 de dezembro, Trump anunciou que seu governo reconhecia Jerusalém como a capital de Israel, e que havia determinado ao Departamento de Estado o início do processo de mudar para essa cidade a embaixada americana, situada em Tel Aviv.

A decisão de Trump provocou uma onda global de indignação e protesto. Para o presidente palestino, Mahmud Abbas, com esse gesto os Estados Unidos perdeu a capacidade de servir como mediador para eventuais negociações com Israel.

Em 21 de dezembro, a Assembleia Geral da ONU aprovou por ampla maioria (128 votos a favor, 9 contra e 35 abstenções) uma resolução de condenação à decisão de Trump, um voto que despertou a ira da Casa Branca.

Na véspera dessa histórica votação, Trump alertou que seu governo anotaria cada voto para posteriormente discutir a ajuda que destinaria aos respectivos países.

Entre os países latino-americanos, somente a Guatemala anunciou que acompanharia o gesto de Washington de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

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