Golpe de Estado abortado na Guiné Equatorial ameaça a sub-região

Malabo, Guiné Equatorial, 4 Jan 2018 (AFP) - As Nações Unidas vão enviar um representante à Guiné Equatorial, após autoridades do país petroleiro africano anunciarem tentativa tentativa de golpe de Estado por parte de mercenários estrangeiros.

François Lounceny Fall, enviado da ONU para a África ocidental vai manter discussões em Malabo na próxima semana, explicou um porta-voz da organização, Farhan Haq.

A tentativa de golpe que a Guiné Equatorial garante ter abortado na quarta-feira é uma séria ameaça para toda a sub-região da África Central, afirmou nesta quinta-feira o chefe da diplomacia chadiana, Mahamat Zen Sherif.

Mas o porta-voz da ONU comentou que, por ora, as informações sobre as tentativas para derrubar o presidente guineano Teodoro Obiang Nguema, há 38 anos no poder, são escassas.

O embaixador chadiano, Paul Nahari Nguaryanan, explicou à AFP que mais de 65 comerciantes do país foram detidos nos últimos dias na Guiné Equatorial.

"Foram tomadas medidas de segurança na fronteira. Trabalhamos em coordenação com Camarões e Guiné Equatorial", afirmou à AFP um oficial do governo do Gabão, que pediu anonimato.

Na quarta, houve enfrentamentos entre das forças de segurança da Guiné Equatorial e "mercenários" perto das fronteiras com Camarões e Gabão, que deixaram um morto entre os atacantes, segundo a emissora estatal, que não indicou o número nem de onde vinham.

O ministro da Segurança Nacional, Nicolás Obama Nchama, tinha anunciado pouco antes que em 24 de dezembro um grupo de mercenários estrangeiros - chadianos, sudaneses e centro-africanos -, enviados por partidos radicais, tentaram "atacar o chefe de Estado, que se encontrava no palácio presidencial de Koete Mongomo para passar o fim de ano".

- Falta de visibilidade -"Há uma verdadeira falta de visibilidade sobre o que realmente está acontecendo", comentou, por sua parte, uma fonte diplomática da região falando à AFP sob anonimato.

De fato, todas as informações recebidas nos últimos dias chegaram através de canais oficiais de comunicação governamental.

Facebook, Whatsapp e outras redes sociais - principalmente os meios de comunicação na África Central - estão bloqueados na Guiné Equatorial.

As primeiras informações sobre o suposto golpe começaram a vazar na semana passada, com a detenção pela polícia camaronesa de 30 homens armados, em 27 de dezembro, na fronteira com a Guiné Equatorial, perto de Ebibeyin, de acordo com fontes camaronesas e uma diplomata guinéu-equatoriana.

Além disso, um ex-general do exército chadiano, Mahamat Kodo Bani, foi detido em Douala nos dias seguintes, disseram fontes de segurança camaronensas à AFP na quinta-feira.

O embaixador da Guiné Equatorial no Chade, Enrique Nsue Anguesom, em férias em Ebibeyin para a temporada de férias, foi preso em 30 de dezembro "para a investigação sobre os homens detidos", disse um de seus primos na quarta-feira e um policial responsável que manteve o anonimato.

A Guiné Equatorial fechou suas fronteiras em Ebibeyin e enviou reforços militares para o local, disseram fontes locais à AFP no domingo.

As autoridades da Guiné Equatorial não confirmaram a prisão de Nsue Angueson, nem o fechamento das fronteiras em Ebibeyin, ou o envio de reforços.

Desde as eleições gerais de 12 de novembro, nas quais o poder obteve 99 das 100 cadeiras no parlamento, o partido opositor Cidadãos pela Inovação (CI), denuncia dezenas de prisões de seus militantes nas capitais política, Malabo, e econômica, Bata.

Outro partido opositor, o Convergência pela Democracia Social (CPDS), pediu, em um comunicado, a libertação dos militantes do CI e reclamou que o governo "informe à população o que está acontecendo".

O embaixador da Guiné Equatorial em Paris, por sua vez, falou na semana passada de "uma tentativa de desestabilização", enquanto que o presidente Teodoro Obiang, 75 anos, denunciou uma "guerra sendo preparada contra ele".

Obiang, que dirige seu país com mão de ferro desde sua chegada à presidência mediante um golpe de Estado em 1979, é o mais antigo dos chefes de Estado do continente em termos de longevidade no poder.

Em abril de 2016 foi reeleito com mais de 90% dos votos.

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