Trump tenta impedir publicação de polêmico livro sobre seu governo

Washington, 4 Jan 2018 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, mobilizou nesta quinta-feira (4) seus advogados para impedir a publicação de um livro sobre o seu primeiro ano na Casa Branca, e que motivou o dramático rompimento público com o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, em meio a um escândalo.

Em nome de Trump, um escritório de advocacia enviou uma carta de 11 páginas ao autor e ao editor do livro "Fire and Fury: Inside the Trump White House", solicitando a suspensão da publicação e distribuição do volume.

O livro, que já circula nas redações em Washington, inclusive da AFP, se baseia em cerca de 200 entrevistas com funcionários oficiais e mostra uma Casa Branca imersa em uma caótica e permanente guerra interna ao longo do ano passado.

Na carta, os advogados do presidente afirmam que "o senhor Trump exige que seja interrompida e evitem qualquer publicação, divulgação, ou distribuição do livro" e, além disso, pede que os responsáveis publiquem "uma retratação plena e completa, bem como um pedido de desculpas".

"Por favor, também envie imediatamente uma cópia eletrônica do livro (...) e via mensageiro uma cópia do livro físico a este escritório para que possamos avaliar adequadamente as declarações contidas", acrescentaram os advogados do presidente ao editor.

Na tarde desta quinta-feira, a editora anunciou que decidiu antecipar para sexta o lançamento oficial do livro, originalmente previsto para a próxima semana, diante de "uma demanda sem precedentes".

"Fogo e fúria" lidera todas as listas de venda antecipada.

O autor do livro, Michael Wolff, publicou nesta quinta-feira um longo artigo na edição eletrônica da Hollywood Reporter, que já no título deixa clara a sua opinião sobre o que viu: "My year inside Trump's insane White House" (Meu ano dentro da insana Casa Branca de Trump, em tradução livre).

A obra deveria chegar ao mercado na semana que vem, mas por conta deste escândalo já é o livro com maior volume de compra antecipada no site da Amazon.

- Bannon, chamado ao silêncio -A divulgação, na quarta-feira, de trechos do livro provocou um rompimento público de Trump com o polêmico Bannon, que foi um dos coordenadores de sua campanha eleitoral e durante pouco mais de seis meses foi o estrategista-chefe da Casa Branca.

Bannon, que renunciou ao cargo em agosto, fez declarações explosivas a Wolff.

Em particular, afirma que o filho mais velho de Donald Trump, Donald Trump Jr, cometeu "traição" por seus contatos com pessoas próximas à Rússia durante a campanha e seus negócios obscuros, denúncias que levaram a uma explosão de raiva do presidente.

Em uma furiosa nota oficial, Trump afirmou, também na quarta, que Bannon havia perdido o juízo desde que foi demitido da Casa Branca por vazar "notícias falsas" à imprensa.

Advogados do presidente também enviaram uma notificação legal a Bannon para alertá-lo de que poderia enfrentar um processo criminal por violar um acordo de confidencialidade depois de deixar de trabalhar na Casa Branca.

- Um 'grande homem' -Nesta quinta-feira, Bannon buscou amenizar a tensão com seu ex-chefe e, em uma entrevista de rádio, disse que Trump é "um grande homem".

"Eu o apoio incansavelmente, seja em viagem pelo país (...), na rádio, ou na Internet", declarou à rádio Sirius XM.

Em seu artigo desta quinta sobre o conteúdo de seu livro e sua experiência na Casa Branca, Wolff descreve um cenário caótico na Presidência, com reuniões aos gritos e vazamentos à imprensa para eliminar adversários na disputa pelo poder.

Segundo Wolff, a filha de Trump e seu marido, Ivanka Trump e Jared Kushner, são os que realmente têm as rédeas da Casa Branca, e são os responsáveis pelas renúncias de Bannon e do primeiro chefe de Gabinete, Reince Priebus.

O artigo descreve Trump com um homem incapaz de controlar a Casa Branca, que se repete constantemente para desespero de seus familiares e tem dificuldades de reconhecer seus próprios velhos amigos.

Para conter os vazamentos, a Casa Branca anunciou que a partir desta quinta-feira será proibido o uso de celulares pessoais na Ala Oeste, área operacional da Presidência e centro do poder dos Estados Unidos.

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