EUA e Rússia se enfrentam na ONU por protestos no Irã

Nações Unidas, Estados Unidos, 6 Jan 2018 (AFP) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas se dividiu nesta sexta-feira, durante uma reunião de emergência convocada para discutir a onda de protestos no Irã, com Estados Unidos e Rússia ocupando lados opostos.

A embaixadora dos EUA, Nikki Haley, que convocou a reunião, declarou que "o regime iraniano está agora de sobreaviso: o mundo ficará observando o que fizerem".

"Os iranianos estão mobilizados em mais de 79 localidade em todo o país", disse Haley ao Conselho. "É uma exibição poderosa do valor das pessoas, fartas com o governo opressivo, que estão dispostas a arriscar sua vida nos protestos".

Já o embaixador russo no Conselho, Vassily Nebenzia, declarou que "obviamente lamentamos a perda de vidas como resultado das manifestações, que não foram pacíficas, mas deixem o Irã cuidar de seus próprios problemas".

Alguns diplomatas esperavam que a Rússia convocasse uma votação processual para bloquear a reunião, mas, ao fim, Nebenzia não fez a solicitação.

Entre 28 de dezembro e 1º de janeiro, a onda de protestos, principalmente contra o alto custo de vida, chegou a diversas cidades do país. Em algumas ocasiões, teve um tom mais político e provocou atritos violentos que deixaram 21 mortos, em sua maioria manifestantes.

Contudo, a situação voltou ao normal nos últimos dias, com uma forte mobilização das forças de segurança.

Nesta sexta-feira, ocorreram protestos a favor do governo em Teerã, pelo terceiro dia consecutivo.

As autoridades iranianas acusam a CIA, Israel e a Arábia Saudita de estarem por trás dos distúrbios, apoiando "grupos contra-revolucionários" e os Mudjahedines do Povo, o principal grupo de oposição no exílio.

Washington tem reforçado a pressão sobre o Irã, e o presidente Donald Trump se comprometeu a ajudar os iranianos a "recuperar" seu governo.

Washington já adotou sanções unilaterais contra cinco companhias vinculadas ao programa de mísseis balísticos de Teerã.

- "Farsa" -O embaixador do Irã junto à ONU, Gholamali Khoshroo, qualificou a reunião de "farsa" e "perda de tempo" e declarou que o Conselho deveria se concentrar no conflito palestino-israelense e na guerra no Iêmen.

O embaixador russo disse que se a visão americana é correta, o Conselho de Segurança também deveria ter discutido os distúrbios de 2014 em Ferguson, Missouri, após um policial matar um adolescente negro, ou a repressão ao movimento Occupy Wall Street.

A China também descreveu a reunião como uma intromissão nos assuntos do Irã, enquanto Etiópia, Kuwait e Suécia manifestaram reservas sobre a discussão.

Grã-Bretanha e França reafirmaram que o Irã deve respeitar os direitos dos manifestantes, mas o embaixador francês, Francois Delattre, avaliou que os "acontecimentos dos últimos dias não constituem uma ameaça para a paz e a segurança internacionais".

Partidários do presidente iraniano, Hasan Rohani, moderado, acusam grupos conservadores de ter provocado os protestos para obter benefício político, algo que os manifestantes negaam, insistindo que o governo deve mudar de política econômica para aliviar a pressão sobre as classes mais desfavorecidas.

O procurador-geral iraniano, Mohammad Jafar Montazeri, voltou a acusar os Estados Unidos, Israel e a Arábia Saudita de terem provocado os atos violentos.

"O projeto de criar insegurança e distúrbios no Irã começou há quatro anos", declarou Montazeri, citado pela agência Isna, apontando diretamente contra Michael D'Andrea, responsável da CIA para o Irã.

Mas muitos funcionários admitem as genuínas carências econômicas de muitos iranianos, particularmente o desemprego, que atinge uma taxa de quase 30% entre os jovens.

A economia do Irã cresceu 12% no último ano, após a suspensão das sanções pelo acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências, mas os analistas acreditam que muito deste crescimento extraordinário vem da venda do petróleo, algo que gera poucos empregos.

Trump deve decidir na próxima semana se mantém a suspensão das sanções ligadas a questão nuclear, adotada em virtude do acordo de 2015.

Nos EUA, o acordo prevê que o presidente revalide a suspensão das sanções contra o Irã a cada quatro meses, e o próximo prazo vence no dia 12 de janeiro.

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