Terceira jornada de manifestações a favor do governo iraniano

Teerã, 5 Jan 2018 (AFP) - Novas manifestações estão previstas nesta sexta-feira (5) no Irã para apoiar o regime, em reação ao movimento de contestação em todo o país que começou no final de dezembro e deixou 21 mortos.

No dia anterior, os Estados Unidos anunciaram novas sanções a cinco companhias do Irã, acusadas de participar no programa de mísseis balísticos de Teerã.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, vinculou a decisão aos protestos recentes contra o governo, argumentando que o Irã deveria gastar mais no bem-estar público do que em armas proibidas.

Por sua vez, as autoridades iranianas acusam a CIA americana, Israel e a Arábia Saudita de estarem por trás dos distúrbios, apoiando "grupos contra-revolucionários" e os Mudjahedines do Povo, o principal grupo de oposição no exílio.

Pelo terceiro dia consecutivo, nesta sexta-feira as mobilizações em apoio ao governo vão acontecer na província de Teerã e em várias cidades, como Tabrix (noroeste) e Kerman (sul), para condenar a atuação de "agitadores" que aproveitaram-se de manifestações "legítimas" da população contra as dificuldades econômicas atravessadas pelo país.

"As manifestações serão realizadas depois da oração tradicional muçulmana de sexta-feira [à tarde] em 40 lugares na província de Teerã", informou a imprensa oficial.

Após cinco dias de protestos, entre 28 de dezembro e 1 de janeiro, o país voltou à calma, em meio a uma mobilização significativa das forças de segurança.

Nos últimos três dias, não houve protesto na capital iraniana. As manifestações deixaram um total de 21 mortos, principalmente manifestantes, e centenas de pessoas detidas, 450 delas em Teerã. Numerosos carros e edifícios oficiais foram atacados ou incendiados.

A polícia instou a população a "enviar [para a polícia] os vídeos e imagens de ações contra a segurança", de acordo com a imprensa.

Além disso, as autoridades publicaram fotos de manifestantes envolvidos nos distúrbios para pedir a população que ajude a identificá-los.

Todos os grupos políticos denunciaram a violência dos protestos, embora os reformistas do ex-presidente Mohammad Khatami, que participam do governo do presidente Hassan Rohani, tenham argumentado que as demandas legítimas da população devem ser atendidas.

Desde o início dos protestos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem expressado seu apoio aos manifestantes. A pedido dos americanos, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU será realizada nesta sexta-feira para discutir a situação no Irã.

No dia anterior, Washington deu um passo à frente e impôs novas sanções contra grupos industriais suspeitos de participar do programa de mísseis balísticos de Teerã.

Para o Departamento de Estado, as autoridades iranianas devem "prestar contas" pela repressão e assegurou que os Estados Unidos "não esquecerão as vítimas" dos protestos.

Anteriormente, o Irã havia protestado junto a ONU contra a "interferência" dos Estados Unidos, que acusou de agitar os distúrbios.

A Rússia também advertiu Washington contra qualquer intervenção nos "assuntos internos" do Irã, enquanto o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, também denunciou "alguns estrangeiros [que] provocam" os tumultos.

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