Ameaçados de remoção, sem-teto protestam antes de casamento real britânico

  • Steve Parsons/AP

Na cidade inglesa de Windsor, a alguns passos do imponente castelo onde a rainha Elizabeth II gosta de passar seus finais de semana, uma dezena de pessoas sem-teto se protege do frio com papelões.

Mas a somente quatro meses e meio do casamento do príncipe Harry com a americana Meghan Markle na capela gótica do castelo, a vontade das autoridades locais de despejá-los dos arredores suscita indignação.

Em uma carta enviada ao chefe da Polícia local, o dirigente conservador da Prefeitura de Windsor e Maidenhead, Simon Dudley, pede que os agentes atuem.

"É cada vez mais inquietante ver a quantidade de sacolas e dejetos que esses mendigos acumulam em nossas calçadas", escreveu o representante, que também denuncia uma "mendicidade agressiva."

"Esta situação faz com que nossa bela cidade apareça sob uma luz desfavorável" quando "o interesse turístico do local vai se multiplicar pela chegada do casamento real em maio."

Segundo o gabinete Brand Finance, a cerimônia deve atrair centenas de milhares de turistas à cidade de 30.000 habitantes. Os lucros para a economia britânica são calculados em 500 milhões de libras.

Escandalizados

Para Dudley, os sem-teto têm menos direito de entrada para o grande dia, especialmente porque é o resultado de uma "escolha" viver na rua.

Tentando se abrigar do vento na cidade onde chegou há dois anos devido a uma doença mental, Stephanie protesta. "Não escolhi estar aqui, as pessoas me dão o que querem dar", explica à AFP.

As declarações do dirigente conservador, que provocaram rechaço do governo, são especialmente chocantes aos olhos de Murphy James, responsável de uma associação local de ajuda aos sem-teto, porque o príncipe William, seu irmão Harry e sua futura esposa estão comprometidos há tempos com a defesa desse grupo.

"Tenho certeza que estão escandalizados com esses comentários, como eu e muitos moradores de Windsor", assegura à AFP na igreja onde o WindsorHomeless Project oferece comida, roupa, banho e ajuda aos desfavorecidos.

Segundo ele, em vez de criminalizar os sem-teto, devem atacar a raiz do problema. Com ou sem um casamento real.

Também lamenta a ausência de abrigos de urgência na cidade e a insalubridade dos alojamentos propostos pela Prefeitura, muitas vezes "infestados de ratos".

Preguiçosos

Muitos transeuntes apenas olham para os mendigos. Peggy Outhwaite se incomoda por acreditar que não pode aguardar tranquilamente o ônibus.

"Não acho que devam estar aqui", assegura esta aposentada à AFP, considerando-os "preguiçosos". "É um cidade real. Deve ser o dia de Harry e, sobretudo, um lindo dia".

Derek Prime, gerente de uma loja de souvenirs que já conta com produtos com o rosto dos noivos, pergunta-se qual é a realidade das medidas de realojamento reivindicadas pelas autoridades. "Deveria passar uma noite na rua para ver como é", critica a ideia de Dudley.

O chefe da Polícia local, Anthony Stansfeld, prepara sua resposta, mas já escreveu em um comunicado que "essas questões não foram apresentadas" no plenário municipal de outubro.

Em dezembro, a Polícia de Windsor respondeu o representante que já se queixava no Twitter de uma "epidemia" de pessoas sem lar na cidade.

"Devemos proteger as pessoas mais vulneráveis de nossa sociedade trabalhando juntos", disse a Polícia na rede social, assinalando que "as casas são responsabilidade do conselho".

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