Participação da Coreia do Norte nos Jogos de Inverno é provável

Pequim, 6 Jan 2018 (AFP) - Novo sinal do recente degelo na península coreana, um funcionário do alto escalão norte-coreano declarou neste sábado (6) que seu país "provavelmente" participará nos Jogos Olímpicos de Inverno no próximo mês na Coreia do Sul.

A Coreia do Norte "provavelmente participará" nas Olimpíadas em Pyeongchang, de 9 a 25 de fevereiro, afirmou o representante norte-coreano do Comitê Olímpico Internacional (COI), Chang Ung, citado pela agência de notícias japonesa Kyodo.

A agência indicou que o funcionário norte-coreano fez esta breve declaração aos repórteres durante uma escala no Aeroporto Internacional de Pequim.

Ainda de acordo com a agência japonesa, Chang estava a caminho da Suíça, onde está localizada a sede do COI. Fontes não identificadas citadas pela Kyodo apontaram que o propósito da viagem poderia ser discutir com o Comitê Olímpico a possível participação da Coreia do Norte nos Jogos de Pyeongchang.

Nos últimos dias, muitos foram os sinais na direção de uma distensão na península coreana, após meses de escalada e retórica ameaçadora entre Pyongyang e Washington.

Seul e Pyongyang concordaram na sexta-feira (5) em conversar pela primeira vez em dois anos. O encontro, o primeiro do tipo desde dezembro de 2015, acontecerá na terça-feira (9) em Panmunjom, aldeia fronteiriça onde o cessar-fogo da Guerra da Coreia foi assinado (1950-53).

Além disso, Washington e Seul concordaram em adiar suas manobras militares anuais para depois das Olimpíadas.

- Sessenta anos de tensão -Por sua vez, o líder norte-coreano, Kim Jong-Un, afirmou em sua mensagem de Ano novo que seu país desejava o sucesso das Olimpíadas de Inverno e planejava enviar uma delegação.

Seul e os organizadores dos jogos querem que Pyongyang participe para diminuir a tensão criada pelos programas nuclear e balístico conduzidos pela Coreia do Norte em violação das resoluções da ONU.

Pyongyang realizou vários lançamentos de mísseis nos últimos meses e, em setembro, um sexto teste nuclear, o mais poderoso até à data.

Na última segunda-feira, na mesma mensagem de Ano Novo, Kim Jong-Un pediu à Coreia do Norte que produza em massa ogivas nucleares e mísseis balísticos. Ele também assegurou que seu país alcançou o objetivo de ser um Estado plenamente nuclear.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu aos testes norte-coreanos alternando ameaças - prometeu na tribuna da ONU "destruir totalmente" a Coreia do Norte em caso de ataque de Pyongyang - e insultos a Kim Jong-Un, descrito como "homem foguete".

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra desde 1953. A guerra na península foi encerrada apenas por um armistício e não por um tratado de paz. Estes sessenta anos de tensão foram salpicados de inúmeros incidentes e confrontos.

No final de dezembro, o Conselho de Segurança da ONU adotou um novo pacote de sanções contra Pyongyang, mediante uma votação unânime de uma resolução apresentada pelos Estados Unidos, que proíbe a entrega de quase 75% de produtos petrolíferos refinados para a Coreia do Norte e exige a repatriação de todos os cidadãos norte-coreanos que trabalham no exterior até o final de 2019.

A China indicou que começou a implementar essas novas restrições neste sábado.

Os partidos de oposição na Coreia do Sul receberam cautelosamente os sinais de degelo na península, alertando para as concessões feitas ao Norte para garantir sua participação nas Olimpíadas.

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