Parlamento iraniano se reúne para discutir crise no país

Teerã, 7 Jan 2018 (AFP) - O Parlamento iraniano se reuniu neste domingo (7) a portas fechadas em uma sessão especial sobre as recentes manifestações no país, em um momento em que são organizadas novas mobilizações de apoio ao governo em várias cidades.

Os deputados tiveram uma audiência em particular com os ministros do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli, da Inteligência, Mahmud Alavi, e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), Ali Shamkhani, sobre as manifestações que degeneraram em episódios de violência em várias cidades do país, em protestos contra o custo de vida e o poder, segundo o site oficial do Majles (Assembleia Nacional).

Um total de 21 pessoas morreram e centenas foram detidas em todo o país, ao menos 450 delas em Teerã. Os protestos incluíram ataques a edifícios do governo e delegacias de polícia.

Os Guardiães da Revolução, Exército de elite da República Islâmica, anunciaram na quarta-feira o "fim da sedição".

"Os responsáveis a cargo da segurança afirmaram que a maioria das pessoas detidas foi libertada", declarou Gholamreza Heydari, um deputado reformista de Teerã, citado no site oficial do Parlamento. Ao contrário, segundo o porta-voz da Polícia, "os principais responsáveis pelos distúrbios estão presos e nas mãos da Justiça".

Citando o mesmo site, outro deputado, Mohamad Reza Kashuie, indicou que "a maioria dos presos não tem diploma universitário e é jornalista".

"A reunião do Parlamento tratou principalmente sobre as condições de vida das pessoas, a situação econômica e o desemprego", declarou este deputado conservador. Na sua opinião, "o inimigo tenta se infiltrar no país e as questões econômicas tiveram um papel importante nos protestos".

Funcionários iranianos acusaram a CIA, Israel e a Arábia Saudita de estarem por trás dos distúrbios que convulsionaram o país por cinco dias, como parte das crescentes tensões que existem entre o Irã e seus vizinhos desde que o presidente Donald Trump chegou à Casa Branca.

A questão das restrições impostas ao aplicativo de mensagens instantâneas Telegram, a rede social mais popular no Irã, durante a agitação também foi abordada.

"Foi decidido tomar as medidas necessárias para a retirada da filtragem do Telegrama, mas isto depende do compromisso dos responsáveis por este aplicativo, posto que as ações dos inimigos da República Islâmica foram realizadas por meio do Telegram", declarou Behruz Nemati, porta-voz da presidência do Parlamento, após o fim da reunião.

O bloqueio da rede de compartilhamento de fotografias Instagram foi retirado no sábado, mas o Telegram, que conta com cerca de 25 milhões de usuários por dia, continua sofrendo restrições: o acesso ao mesmo é impossível de um celular, salvo se for utilizada uma rede privada virtual (VPN).

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