Condenado à morte por júri racista nos EUA pode ser julgado de novo

Washington, 8 Jan 2018 (AFP) - A Corte Suprema dos Estados Unidos abriu caminho nesta segunda-feira (8) para realizar um novo julgamento de um homem negro condenado à morte por assassinato por um júri composto por um integrante que fez comentários racistas.

No final de setembro, o máximo tribunal suspendeu a execução de Keith Tharpe na prisão no estado da Geórgia (sudeste).

Declarado culpado do assassinato de sua cunhada em 1990, Tharpe foi condenado à morte por um júri do qual fazia parte um homem que disse que os negros não têm alma.

"Depois de estudar a Bíblia, cheguei a me perguntar se os negros tinham alma", disse o jurado, um homem branco chamado Barney Gattie, anos depois do veredicto.

Essas declarações "representam uma forte presunção de que o veredicto de pena de morte foi influenciado pela raça do señor Tharpe", ditou nesta segunda-feira a Corte Suprema, remetendo o caso a um tribunal inferior.

Para Brian Kammer, advogado do condenado, a mais alta corte americana considerou "a clara presença de um viés racista de um dos jurados".

Três juízes conservadores da alta corte, Clarence Thomas, Samuel Alito e Neil Gorsuch manifestaram seu desacordo com a decisão.

Até agora, os advogados do prisioneiro haviam fracassado em sua tentativa de provar que o racismo teve um "papel crucial" na condenação de Tharpe.

Em vários casos emblemáticos nos últimos anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos estabeleceu que os preconceitos racistas não têm espaço no sistema de justiça americano.

O máximo tribunal suspendeu em fevereiro a execução de um texano que tinha sido apresentado em seu julgamento como potencialmente mais perigoso porque era negro.

Os juízes de Washington também decidiram em maio de 2016 a favor de um homem negro sentenciado à morte por um juri de 12 brancos selecionados sob critérios racistas.

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