'Caixa de pílulas' libera dose semanal de drogas contra HIV no estômago

Paris, 9 Jan 2018 (AFP) - Uma "pequena caixa de pílulas" que libera um coquetel de medicamentos contra o HIV no estômago durante vários dias é um passo potencial para reduzir o incômodo da ingestão diária de comprimidos, disseram cientistas nesta terça-feira.

Testado apenas em porcos até agora, o pequeno dispositivo é a tentativa mais recente de fazer com que seja mais fácil para as pessoas que tomam medicamentos para doenças crônicas, incluindo os infectados com o vírus da aids, manterem seus planos de dosagem.

A adesão ao medicamento é um grande desafio para as pessoas que precisam tomar múltiplas drogas diariamente, ou mesmo duas vezes por dia, pelo resto de suas vidas.

A adesão média é estimada em cerca de 70% para o tratamento antirretroviral (ART), que mantém o vírus da imunodeficiência humana (HIV) sob controle, mas não o mata.

As pessoas que se esquecem de tomar a medicação correm o risco de adoecer se o vírus se recupera ou de desenvolver resistência às drogas que estavam usando - o que poderia exigir uma substituição mais onerosa.

Pular comprimidos também pode levar à falha do ART como um meio de impedir o vírus se espalhar para parceiros sexuais não infectados.

O novo sistema de dosagem vem na forma de uma cápsula que pode ser ingerida. Uma vez que o revestimento se dissolve no estômago, o comprimido se desdobra em um dispositivo em forma de estrela de cerca de quatro centímetros de largura.

Desdobrada, a cápsula tem seis braços e pode conter várias drogas diferentes ao mesmo tempo - um "coquetel" de medicamentos contra a aids, por exemplo.

O dispositivo é projetado para permanecer no estômago, sendo muito grande para passar pelo piloro, uma válvula entre o estômago e o intestino delgado, mas sem impedir os alimentos de passarem pelo sistema digestivo.

A equipe colocou um coquetel de três drogas contra o HIV no dispositivo e o testou em porcos, animais cuja anatomia do estômago é semelhante à dos humanos.

No teste, "esses sistemas de dosagem de liberação lenta funcionam igual ou melhor do que as doses diárias atuais para o tratamento do HIV", disse o coautor do estudo Giovanni Traverso, da Escola de Medicina de Harvard.

Uma vez que concluiu o seu trabalho, o dispositivo é excretado pelo corpo em pedaços.

De acordo com modelos de computador, o novo sistema de entrega poderia prevenir de 200.000 a 800.000 novas infecções nos próximos 20 anos, estimou a equipe de pesquisa. Mas antes disso, são necessários mais testes em primatas e, eventualmente, em humanos.

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