ELN dá por terminada sua primeira trégua bilateral na Colômbia

Quito, 9 Jan 2018 (AFP) - A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou o fim de sua primeira trégua bilateral na Colômbia a partir da meia-noite desta terça-feira (9), embora vá evitar escalar o conflito enquanto negocia com o governo, em Quito, um novo cessar-fogo.

Em entrevista à AFP nos arredores da capital equatoriana, o chefe de negociações do grupo rebelde, Pablo Beltrán, descartou uma prorrogação do atual acordo, vigente desde 1º de outubro.

"Hoje, terça-feira, às 24 horas termina o cessar-fogo, que teve duração de 101 dias", declarou o comandante rebelde Beltrán, na véspera da retomada dos diálogos de paz em Quito, sede do processo que busca por fim a um confronto de 53 anos.

O cessar-fogo acaba com queixas mútuas de descumprimento, mas com um fato indiscutível: nos últimos três meses não houve confrontos entre os militares e as tropas rebeldes pela primeira vez em mais de meio século de conflito. E isto incentiva as partes a discutirem uma nova suspensão de hostilidades.

"Chegamos a um estágio importante que é desenvolver as conversações em meio ao cessar-fogo bilateral. Vamos tentar com que se mantenha, enquanto isso esperamos que não haja uma escalada de ofensivas", afirmou o líder rebelde.

No entanto, Beltrán assegurou que "o governo está enviando tropas adicionais" às zonas de influência do Exército de Libertação Nacional (ELN).

O governo de Juan Manuel Santos, por sua vez, não anunciou uma retomada imediata da perseguição aos rebeldes, e destacou sua disposição em acordar uma nova trégua.

"Esse é o ideal, logicamente", assegurou o máximo encarregado da delegação de paz do governo, Gustavo Bell, ao chegar à capital equatoriana na segunda-feira.

As equipes de negociadores anunciaram que iniciarão na quarta-feira as discussões sobre uma nova trégua.

- Temores de guerra -Com menos de dois mil combatentes, o ELN é a última guerrilha ativa na Colômbia reconhecida pelo governo, após o desarmamento e a transformação em partido político da ex-insurgência das Farc, no fim de 2016.

Ainda quando as duas partes estão empenhadas em seguir adiante com as negociações sem o ruído da guerra, o ELN se prepara para uma eventual arremetida oficial.

O comandante Uriel, da Frente de Guerra Ocidental Ómar Gómez, que opera no departamento (estado) do Chocó, em plena selva, afirmou em mensagem enviada aos veículos de comunicação na segunda-feira que seus homens já tomaram suas posições.

Beltrán insistiu em que espera que "haja calma", embora tenha admitido que em Quito alertaram todo o ELN "para que esteja pendente porque se há anúncio de operações ofensivas, quer dizer que é preciso elevar as medidas de segurança".

- Um pacto melhor -Durante a trégua, iniciada em 1º de outubro, as partes se acusaram de descumprimentos de acordos mútuos.

Além da interrupção do confronto, o ELN tinha se comprometido a suspender sequestros e ataques à infraestrutura petroleira, enquanto o governo melhoraria as condições dos guerrilheiros presos e a segurança dos líderes sociais, alvos de ataques que deixaram 105 mortos entre janeiro e 20 de dezembro de 2017, segundo a ONU.

O ELN foi acusado, por exemplo, de violar o acordo ao assassinar um governador indígena, um fato pelo qual o grupo pediu perdão.

O grupo rebelde, por sua vez, considerou como descumprimento a morte de sete camponeses cocaleiros em um ataque que envolveu a força pública e as operações militares em suas zonas de influência.

Para Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recurso para a Análise de Conflitos, é preferível negociar um novo cessar-fogo a prorrogar o atual.

"Este cessar-fogo como está tem muitas falhas, não tem regras claras, não são públicas, o mecanismo de monitoramento tampouco tem como fazer essa monitoração precisamente porque não existem regras claras e transparentes", afirmou à AFP.

Santos espera avançar com as negociações com vistas a extinguir o último conflito armado do continente que, em mais de meio século, deixou oito milhões de vítimas entre mortos, desaparecidos e deslocados.

Estimulado pelo acordo com as outrora Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente e ganhador do Nobel da Paz pretende sustentar a mesa de Quito ante o panorama eleitoral, que confronta partidários e críticos de uma saída negociada com as guerrilhas.

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