May completa caótica remodelação de governo britânico

Londres, 9 Jan 2018 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, concluiu nesta terça-feira (9) a reforma de seu governo que afetou sobretudo cargos inferiores, e que esteve marcada por um erro e pela negativa de alguns ministros de trocar de pasta.

Esta remodelação permite a "uma nova geração de ministros dar um passo à frente e melhorar a vida das pessoas por todo o Reino Unido", disse May ao fim de uma reforma que atingiu principalmente classes menores - secretários de Estado, basicamente.

O governo britânico é composto por 99 cargos, entre ministros, secretários de Estado e outros subalternos.

As mudanças não afetaram os rostos principais do Executivo, que foram confirmados em seus cargos, incluindo o das Relações Exteriores, Boris Johnson, cujas desculpas e erros não pararam de criar problemas para May.

Além disso, a ministra de Educação, Justine Greening, acabou se demitindo porque não queria assumir a pasta de Pensões e Bem-Estar, enquanto o da Saúde, Jeremy Hunt, foi confirmado em seu cargo porque se negou a assumir outro ministério, apesar do inverno difícil que a saúde pública está vivendo sob seu comando.

Mas o erro da remodelação foi o anúncio de que o ministro dos Transportes, Chris Grayling, assumia a direção do Partido Conservador, feito no Twitter pela própria formação, e apagado logo depois para anunciar a nomeação de Brandon Lewis.

Os analistas consideraram de forma unânime que o ocorrido confirma a posição de fraqueza de May desde que perdeu a maioria absoluta nas eleições de junho de 2017.

O secretário de Estado de Comércio Internacional, Mark Garnier, foi o primeiro a deixar seu cargo nesta terça-feira e disse estar "muito triste". Garnier foi alvo de uma investigação interna no fim do ano passado depois de pedir a sua secretária que lhe comprasse brinquedos sexuais, embora tenha sido absolvido.

- Objetivo: 'refrescar' a equipe -A remodelação foi pensada para "refrescar" a equipe de May após um 2017 intenso, que terminou com uma vitória eleitoral amarga e a renúncia de três de seus ministros de alto escalão por escândalos.

Também foi abordada como uma tentativa de introduzir novos rostos no governo, entre eles mais mulheres, membros de minorias étnicas e jovens.

O novo presidente do Partido Conservador Brandon Lewis, nomeado na segunda-feira, disse que haveria um "sopro realmente bom de ar fresco" nas fileiras ministeriais mais baixas.

Após o início caótico, há uma pressão para que May seja mais firme.

"Não quero ser grosseiro ou percebido como desleal, mas tem que haver uma melhora importante na remodelação de amanhã", tuitou na segunda-feira o veterano conservador Nicholas Soames, neto de Winston Churchill.

Um comentarista do jornal The Times considerou que "um acontecimento que poderia ter sido utilizado para esclarecer a direção do governo depois de alguns meses difíceis serviu apenas para ressaltar a incoerência em Downing Street".

"A primeira regra de uma remodelação é que deve deixar o líder ao menos tão forte como quando começou. Tem sido espetacularmente vulnerabilizada até agora", avaliou o meio digital conservador Conservative Home.

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