Kuczynski inaugura gabinete após polêmico perdão a Fujimori

Lima, 10 Jan 2018 (AFP) - O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, estreou um terceiro gabinete ministerial em meio a uma trégua tácita com o fujimorismo, buscando superar sua pior crise política desatada com o polêmico indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori.

O novo grupo ministerial está longe de refletir o ambicioso "gabinete da reconciliação" que o governo prometeu em 25 de dezembro, acreditando que poderia convocar fujimoristas e antifujimoristas e deixar para trás a polarização vivida no Peru há 25 anos.

"Reconciliação é uma palavra sem sentido, este é um gabinete que busca estabilizar o Executivo com as mudanças", afetado pelas renúncias de dois ministros e de três parlamentares em desacordo com o perdão concedido a Fujimori, disse à AFP o analista político Mirko Lauer.

"O que saiu foi um gabinete fruto de uma trégua, porque enquanto os Fujimori não resolverem seus problemas entre eles, existe esta trégua" com o governo, informou.

Essa trégua se origina no momento de reacomodação política no Peru, com Fujimori livre e tuitando a favor da reconciliação, sem definir se no futuro ele passará a cuidar dos netos ou se continuará na política.

- Uma reconciliação distante -Kuczynski ratificou na terça-feira como primeira-ministra a economista Mercedes Aráoz, que exerce o cargo desde setembro de 2017, em uma cerimônia na qual renovou nove dos 19 ministros.

Do lado dos Fujimori, o problema é o controle dentro de seu partido, Força Popular (direita populista). Com 71 legisladores de um total de 130, tem a maioria do Congresso unicameral onde exerce um contrapoder ao governo desde que Keiko Fujimori, filha do patriarca do clã, perdeu as eleições para Kuczynski em 2016.

Na disputa fraternal entre os Fujimori, estão Keiko, de 42 anos e duas vezes candidata presidencial, que lidera o partido e a linha dura do fujimorismo, e seu irmão mais novo Kenji, de 37 anos, o legislador mais votado do Peru, líder da minoritária ala pragmática e indicado como o negociador do indulto.

Completa a trilogia fujimorista o convalescente Alberto Fujimori, de 79 anos, mais próximo a Kenji e que expressou seu desejo de unir seus filhos antes de morrer.

O enfrentamento entre os dois irmãos se tornou patente quando ficou evidente que a estratégia de Keiko passava por colocar obstáculos ao indulto de seu pai a fim de fortalecer sua liderança pessoal no partido e deixar Kenji mais isolado.

No dia 24 de dezembro Kuczynski concedeu o polêmico indulto a Fujimori, evidenciando a dificuldade dos peruanos em virar a página do regime do ditador Fujimori (1990-2000), que estava há 12 anos na prisão depois de ser condenado a 25 anos por violações aos direitos humanos.

Três dias antes de indultar Fujimori, Kuczynski se salvou de ser destituído pelo Congresso, acusado de mentir sobre sua relação com a construtora brasileira Odebrecht.

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