Turquia pressiona Rússia e Irã sobre conflito sírio

Istambul, 10 Jan 2018 (AFP) - A Turquia pediu nesta quarta-feira que a Rússia e o Irã assumam suas responsabilidades, interrompendo a ofensiva do regime sírio contra uma província rebelde, sinal da tensão crescente antes de novas negociações de paz.

"O Irã e a Rússia devem assumir as suas responsabilidades na Síria", pedindo que Damasco encerre sua ofensiva na província rebelde de Idleb (noroeste), declarou o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu.

A Turquia, que colabora estreitamente com a Rússia há vários meses na questão da Síria, vem aumentando a pressão nos últimos dias sobre Moscou e em Teerã, a medida que as forças do regime de Damasco intensificaram seus bombardeios em Idleb.

Desde 25 de dezembro, o regime sírio conduz uma ofensiva para recuperar a província de Idleb, a única que lhe escapa inteiramente e que é controlada pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham, dominado pela ex-facção síria da Al-Qaeda.

"Se vocês são os padrinhos, o que é o caso, têm que parar o regime. Não se trata de um simples ataque aéreo, o regime tem outras intenções e está avançando em Idleb", lançou Cavusoglu a Moscou e Teerã.

As autoridades turcas convocaram na terça-feira à noite os embaixadores da Rússia e do Irã em Ancara para comunicar seu constrangimento ante o que considera uma ofensiva contra rebeldes islâmicos sob a luta contra o terrorismo.

O presidente russo, Vladimir Putin, espera unir todos os lados em conflito nos dias 29 e 30 de janeiro em Sochi para encontrar uma saída para o conflito que já custou mais de 340 mil vidas desde 2011.

Além disso, segundo a oposição síria, uma nova rodada de discussões patrocinadas pela ONU deve acontecer em Genebra a partir de 21 de janeiro.

Após uma séria crise diplomática causada pela destruição em novembro de 2015 de um bombardeiro russo pela aviação turca, Ancara e Moscou se reaproximaram.

Mas há desentendimentos profundos entre a Turquia, que apoia os rebeldes, e a Rússia, que patrocina, juntamente com o Irã, o regime sírio, principalmente sobre o destino de Bashar al-Assad.

Ancara também recusa a participação dos grupos curdos sírios PYD e YPG na reunião programada em Sochi, uma posição reiterada nesta quarta-feira por Cavusoglu.

"Intensos contatos estão em andamento" para preparar a reunião de Sochi, indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

"A Rússia terá dificuldades em propor uma solução política. Sochi já fracassou duas vezes, e há uma falta de clareza sobre os participantes", observa um diplomata europeu, que se diz "cético" sobre as chances de sucesso desta reunião.

A situação em Idleb é acompanhada de perto pela Turquia, que desdobrou tropas nesta província para criar postos de observação como parte da criação das "zonas de distensão" negociadas por Moscou, Ancara e Teerã.

A Turquia também teme o afluxo de refugiados para seu território se a ofensiva do regime sírio aumentar.

Além disso, a Rússia expressou seu aborrecimento após um ataque às bases russas na Síria com drones lançados, segundo Moscou, da província de Idleb.

Citado pelo jornal Krasnaya Zvezda nesta quarta-feira, o ministério da Defesa russo disse que pediu aos chefes de Estado-Maior e de Inteligência turcos que "impeçam os ataques de drone como os ocorridos".

Se a ofensiva de Damasco continuar, Erdogan não hesitará, "se necessário", em telefonar a Putin para pedir-lhe para intervir, assegurou o chefe da diplomacia turca.

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