Com EI derrotado, yazidis do Iraque abrem novo templo

Bashiqa, Iraque, 12 Jan 2018 (AFP) - A minoria yazidi, perseguida pelos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, abriu nesta sexta-feira (12) um novo templo, depois que os extremistas foram derrotados no país.

Aos pés da cúpulas cônicas de pedra polida, cerca de 100 yazidis, entre eles homens vestidos com a túnica tradicional árabe e mulheres com um véu branco ao redor do rosto, se apressavam nesta sexta-feira para rezar e abraçar este novo lugar de culto.

O novo templo foi construído sobre outro, que foi destruído com explosivos pelos extremistas em 2014.

Os yazidis, de língua curda e adeptos a uma religião esotérica monoteísta, foram especialmente perseguidos pelo EI, que em 2014 ocupou grandes áreas do Iraque e os considerava "hereges".

Segundo o Ministério de Assuntos Religiosos da região autônoma do Curdistão iraquiano, mais de 6.400 yazidis foram sequestrados pelo grupo extremista em 2014.

Desse total, cerca de 3.200 foram resgatados, ou conseguiram fugir. O destino dos demais, entre eles muitas mulheres e meninas jovens que foram reduzidas a escravas sexuais, é desconhecido, quando o EI já perdeu quase todo os territórios que conquistou no Iraque e muitos de seus membros fugiram, principalmente para a vizinha Síria.

Os extremistas também mataram milhares de yazidis.

Na região de Bashiqa, 15 quilômetros a leste de Mossul, segunda cidade do Iraque, "esta cerimônia mostra que a vida voltou", se entusiasma Jihan Sinan, de 21 anos.

Ao seu redor, as famílias posam para fotos de recordação, enquanto distribuem pratos tradicionais e um grupo de bailarinas dança ao ritmo da flauta.

Segundo responsáveis desta comunidade, o EI destruiu 68 templos, dos quais, desde então, cerca de 20 foram restaurados, ou reconstruídos nesta região.

O dignatário religioso Ali Rashuakari, de 72 anos, fez um chamado "à comunidade internacional para reconstruir os templos e as regiões yazidis".

A população yazidi, que contava com 550 mil membros no Iraque antes da entrada dos extremistas em 2014, se encontra espalhada.

Segundo o ministro de Assuntos Religiosos do Curdistão iraquiano, 100 mil yazidis saíram do país e outros se refugiaram principalmente na região autônoma.

A mesma fonte assegurou que 47 fossas comuns foram descobertas.

De acordo com a ONU, milhares de mulheres e adolescentes, em particular as da minoria yazidi, sofreram terríveis abusos nas zonas controladas pelo EI, como estupros, sequestros, escravidão e tratamentos desumanos.

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