Papa Francisco chega ao Chile em sua sexta visita à região

A bordo de avión del papa, Brasil, 16 Jan 2018 (AFP) - O papa Francisco chegou nesta segunda-feira a Santiago para uma visita marcada por protestos contra os abusos sexuais na Igreja e reivindicações por "ações, e não perdão" para os sacerdotes pedófilos.

O avião do papa pousou às 19H20 no aeroporto da capital chilena, quase uma hora antes do previsto.

Recebido pela presidente Michelle Bachelet e três crianças, o papa teve que retirar seu solidéu pelo forte vento.

Durante sua permanência de três dias no Chile (de 15 a 18 de janeiro), se reunirá com autoridades, comunidades indígenas, religiosos e pessoas carentes em Santiago, Temuco (600 km ao sul de Santiago) e Iquique (1.800 km ao norte), onde oficiará missas.

- Abusos sexuais -Nesta primeira viagem de um papa ao Chile em trinta anos, Francisco, de 81 anos, se encontrará com a população mais desconfiada com a Igreja Católica da América Latina, segundo um estudo recente.

Os abusos sexuais dentro da Igreja contribuíram para essa percepção.

Um grupo de ativistas de vários países pediu nesta segunda-feira ao papa em Santiago que troque "perdões por ações" para enfrentar a pedofilia e lançou uma organização internacional contra o abuso infantil que pretende acabar com essas práticas e levar os acusados aos tribunais.

"No Chile há bispos que acobertaram e que deveriam estar na prisão ou, destituídos, e pedimos ao papa concretamente no Chile, ações, não perdões", disse Juan Carlos Cruz, integrante da Fundação para a Confiança.

- Protestos -Vários grupos se manifestaram contrariamente à presença do papa, perto da embaixada da Argentina, devido ao gasto para o Chile que essa viagem representa. Pessoas subiram em um guindaste e cinco manifestantes foram detidos.

Outras manifestações contra os abusos sexuais por parte de religiosos e protestos da comunidade gay estavam previstas, em meio a fortes medidas de segurança.

Na última sexta-feira, foram registrados ataques a cinco igrejas em Santiago e no município vizinho de Melipilla, por supostos grupos de anarquistas.

"Papa Francisco, as próximas bombas serão na sua batina", dizia um cartaz deixado pelos manifestantes.

O papa chega a um Chile em plena transformação social, que acaba de aprovar o aborto terapêutico e tramita no Parlamento o casamento homossexual, após a adoção da união civil de casais do mesmo sexo.

"É recebido por um país que mudou desde a visita de João Paulo II. Somos uma sociedade mais justa, livre e tolerante, mas com desigualdades que requerem uma mensagem de esperança", tuitou Bachelet.

A segurança é uma das preocupações das autoridades chilenas, já que, em sua visita, o papa celebrará três missas para multidões nas três cidades que visitará e fará vários trajetos com seu papamóvel.

As autoridades esperam que cheguem ao Chile cerca de um milhão de argentinos, bolivianos e peruanos para ver o papa, que será protegido por cerca de 18.000 policiais.

- Indígenas e migrantes -Francisco, que se posicionou como um defensor dos indígenas do continente, denunciará em Temuco os abusos sofridos pela comunidade mapuche, uma minoria cada vez mais radicalizada que reivindica suas terras ancestrais e suas tradições.

Na quinta-feira, em Iquique, uma importante rota migratória, concluirá sua visita com outra missa em uma praia no litoral do oceano Pacífico.

De Iquique o papa argentino viajará a um Peru em plena convulsão política e social pelo indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori, que foi condenado a 25 anos por corrupção e crimes contra a humanidade.

- Medo de um conflito nuclear -A caminho do Chile, o papa disse à imprensa que o acompanhava na aeronave que nessa sexta viagem à região seu temor é de que "um incidente" desencadeie uma guerra nuclear em algum lugar do planeta.

"Sim, realmente tenho medo. Estamos no limite. Basta um incidente para desencadear a guerra. Não se pode correr o risco de que a situação precipite. Portanto, é preciso destruir as armas nucleares", enfatizou antes de chegar ao Chile, a primeira etapa de uma viagem pela América Latina, que também inclui o Peru.

Durante o voo, o pontífice distribuiu aos 70 jornalistas que o acompanham uma foto tirada de Nagasaki após a explosão em 1945 da bomba atômica, com a legenda "fruto da guerra".

Na foto, que foi divulgada pela assessoria de imprensa do Vaticano no final de 2017, se vê um menino com o corpo de seu irmão morto nas costas em uma fila para cremá-lo.

Ao sobrevoar o Brasil, o papa enviou uma mensagem ao presidente Michel Temer e ao povo brasileiro, assegurando que reza "pela paz e pelo bem-estar da nação", antes de despachar outro telegrama ao sobrevoar o Paraguai com sua "benção divina de paz e fortaleza". A Argentina também recebeu os "calorosos augúrios" e a benção do pontífice, que não disse quando fará uma visita a seu país natal.

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