Papa Francisco segue rumo ao Chile e ao Peru

Roma, 15 Jan 2018 (AFP) - O papa Francisco reconheceu segunda-feira (15), à bordo do avião que o leva à sua 22ª viagem ao exterior, com destino ao Chile, que tem medo de que um incidente desencadeie uma guerra nuclear.

"Sim, realmente tenho medo. Estamos no limite. Basta um incidente para desencadear a guerra. Não se pode correr o risco de que a situação precipite. Portanto, é preciso destruir as armas nucleares", enfatizou antes de chegar ao Chile, a primeira etapa de uma viagem pela América Latina, que também inclui o Peru.

O pontífice partiu às 6h (horário de Brasília) do aeroporto de Fiumicino, em Roma, e distribuiu aos 70 jornalistas que o acompanham uma foto tirada em Nagasaki após a explosão em 1945 da bomba atômica com a legenda "fruto da guerra".

Na foto, que foi divulgada pela assessoria de imprensa do Vaticano no final de 2017, se vê um menino com o corpo de seu irmão morto nas costas em uma fila para cremá-lo.

Ao sobrevoar o Brasil, o papa enviou uma mensagem ao presidente Michel Temer e ao povo brasileiro, assegurando que reza "pela paz e pelo bem-estar da nação", antes de despachar outro telegrama ao sobrevoar o Paraguai com sua "benção divina de paz e fortaleza". A Argentina também recebeu os "calorosos augúrios" e a benção do pontífice, que não disse quando fará uma visita a seu país natal.

Durante sua permanência de três dias no Chile (de 15 a 18 de janeiro), se reunirá com autoridades, comunidades indígenas, religiosos e pessoas carentes, em Santiago, Temuco (600 km ao sul de Santiago) e Iquique (1.800 km ao norte), onde oficiará missas.

"Já está tudo preparado para recebê-lo em Santiago, Temuco e Iquique", disse a porta-voz oficial do governo chileno Paula Narváez.

- Abusos sexuais -Essa é a segunda visita de um pontífice ao Chile, após a de João Paulo II em 1987. "É um país muito distinto do que o que João Paulo II conheceu quando ainda lutávamos contra a ditadura", acrescentou Narváez.

O papa argentino, de 81 anos, que esteve no Chile quando era seminarista, se encontrará com a população mais desconfiada da Igreja Católica da América Latina, segundo um estudo recente.

Os abusos sexuais dentro da Igreja contribuíram para essa percepção.

Um grupo de ativistas de vários países pediu nesta segunda-feira ao papa em Santiago que troque "perdões por ações" para enfrentar a pedofilia e lançou uma organização internacional contra o abuso infantil que pretende acabar com essas práticas e levar os acusados aos tribunais.

"No Chile há bispos que acobertaram e que deveriam estar na prisão ou ser destituídos, e pedimos ao papa concretamente no Chile, ações, não perdões", disse Juan Carlos Cruz, integrante da Fundação para a Confiança.

Durante os três dias que permanecerá no Chile, Francisco se reunirá com vítimas da ditadura, mas não está previsto que se encontre com vítimas de sacerdotes pedófilos.

- Mudança social -O papa chega a um Chile em plena mudança social, que acaba de aprovar o aborto terapêutico e tramita no Parlamento o matrimônio homossexual, após a adoção da união civil de casais do mesmo sexo.

Francisco será recebido pela atual presidente, Michelle Bachelet, uma dirigente laica que promoveu o matrimônio homossexual e a descriminalização do aborto, medidas muito criticadas pela Igreja.

Sua visita ao Chile também poderá ser marcada por manifestações de associações internacionais de vítimas de abusos sexuais cometidos por padres da Igreja Católica.

O papa Francisco confirmará uma vez mais seu compromisso para com as camadas mais esquecidas de sua região, tal como fez no México, Equador, Bolívia, Paraguai e Colômbia.

Um dos pontos altos da visita será a grande missa que oficiará no parque O'Higgins, onde são esperadas cerca de 400.000 pessoas.

Em Temuco, 600 km ao sul de Santiago, o papa se dirigirá à população mapuche (7% da população chilena) que ocupava um vasto território antes da chegada dos conquistadores espanhóis ao Chile em 1541.

Na capital de La Araucanía, Francisco denunciará os abusos sofridos pela comunidade mapuche, que luta há décadas por seus direitos e que conta com uma minoria radicalizada que protagonizou violentos protestos e atacou até igrejas e seminários católicos.

Em Puerto Maldonado, em plena região amazônica, onde reinam a pobreza e a exploração, Francisco será recebido por 3.500 representantes dos povos nativos, alguns procedentes da Bolívia e do Brasil.

Depois de Temuco, onde almoçará com oito membros da comunidade mapuche, e de uma colorida missa com músicas indígenas, o papa abrirá simbolicamente o sínodo especial de bispos dedicado à defesa da Amazônia e suas populações. O sínodo será inaugurado em outubro de 2019, em Roma.

Na chilena Iquique, antes de partir para o Peru, Francisco se reunirá com duas vítimas da ditadura de militar de Augusto Pinochet na década de 1970, um gesto simbólico para recordar os anos mais negros da história desse país.

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