Renuncia premier social democrata da Romênia

Bucareste, 15 Jan 2018 (AFP) - O primeiro-ministro romeno, Mihai Tudose, renunciou nesta segunda-feira depois de um conflito com o homem forte de seu Partido Social-Democrata (PSD), Liviu Dragnea, menos de sete meses depois da saída de seu antecessor.

"Saio de cabeça erguida", declarou Tudose, 50 anos, após uma reunião de políticos do PSD que retiraram seu apoio.

Ex-ministro da Economia dos dois governos precedentes, Tudose foi proposto para o cargo de premier por Dragnea, em junho passado, mas a relação entre os dois se deteriorou rapidamente.

Durante recente entrevista na TV, Tudose acusou Dragnea - impedido de se candidatar ao cargo de premier devido a uma condenação por fraude eleitoral - de tomar decisões sem consultar os demais responsáveis do partido.

Há três meses, Tudose irritou Dragnea ao impor por conta própria uma reorganização ministerial.

As relações entre Tudose e Dragnea se deterioraram ainda mais nos últimos dias, quando Tudose pediu a demissão da ministra do Interior, Carmen Dan, ligada a Dragnea, após um caso de pedofilia que respingou na polícia.

Com o apoio de Dragnea, Dan ignorou o pedido para renunciar, mesmo após o chefe de governo declarar que já não poderia trabalhar com ela.

Dragnea já havia derrubado o governo social democrata de Sorin Grindeanu, que se tornou "demasiado independente" para seu gosto.

A saída de Tudose precisa ser aprovada pelo presidente de centro direita Klaus Iohannis. Os social democratas se reunirão na manhã desta terça-feira para propor um novo premier.

Em razão das persistentes crises políticas dentro da maioria, Iohannis manifestou em outubro suas dúvidas sobre a "capacidade do PSD para governar" e insinuou que poderia não apontar um novo membro deste partido para formar o governo.

O PSD, herdeiro do antigo partido comunista, que voltou ao poder em dezembro de 2016 com uma clara maioria, provocou uma onda de protestos no inverno (boreal) passado quando tentou suavizar a legislação contra a corrupção.

Após protestos sem precedentes, o governo desistiu da medida.

Mas em dezembro, o governo aprovou uma polêmica reforma da justiça, que reduz a independência dos juízes e restringe as prerrogativas da agência anticorrupção (DNA).

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