Desafios de Trump: legislativas de 2018 e primárias em 2020

Washington, 16 Jan 2018 (AFP) - O futuro político de Donald Trump pode ser determinado ainda em 2018, já que enfrenta o risco de perder o controle do Congresso nas eleições legislativas (as midterms) que definirão a disputa pela Casa Branca em 2020.

É uma tradição que as legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos inclinem a balança para a oposição. Não é improvável, portanto, que Trump enfrente esse cenário nas eleições previstas para 6 de novembro.

Em um ano de Presidência, Trump se viu sugado pela escalada de tensões com a Coreia do Norte, irritou aliados por causa de Irã e de Israel e enfrenta acusações de racismo e de usar um discurso de ódio.

Para o professor Larry Sabato, do Centro de Política da Universidade da Virgínia, "este ano está destinado a ser um ano do Partido Democrata. Resta ver se será um ano moderadamente democrata, substancialmente democrata, ou esmagadoramente democrata".

As pesquisas sugerem que os democratas terão, em novembro, uma boa chance de recuperar a maioria na Câmara de Representantes. No Senado, essa possibilidade é menor, porque os democratas devem defender 26 cadeiras, contra apenas oito dos republicanos.

Sabato considera que, "se os democratas recuperarem a Câmara de Representantes, as chances de Trump aprovar qualquer coisa será igual a zero".

"A manipulação na divisão dos distritos eleitorais é praticamente a única esperança dos republicanos para manter o controle da Câmara de Representantes em 2018", disse o historiador Allan Lichtman, da American University.

- Ringue de campanha -Nesse quadro, Trump e os republicanos farão campanha apoiados na reforma tributária e em um desempenho saudável da economia.

Os baixos índices de popularidade do presidente e os questionamentos sobre sua aptidão para exercer o cargo também serão, contudo, tema de debate na campanha.

Recentemente, o senador republicano John Thune previu que a campanha será "uma troca de socos".

Jeff Flake, outro senador republicano, avaliou, por sua vez, que "será um ambiente difícil".

Depois das eleições legislativas de novembro, os democratas terão dois anos de preparação para tentarem recuperar a Casa Branca. No dia das eleições de 2020, Trump já terá 74 anos de idade.

Uma onda democrata em 2018 não representará, porém, o fim de Trump. Bill Clinton e Barack Obama sofreram pesadas derrotas em eleições de meio de mandato em 1994 e em 2010, e ambos acabaram reeleitos dois anos depois.

O desafio mais difícil para Trump pode, na verdade, surgir de dentro de suas próprias fileiras.

Mesmo sendo o presidente, o Partido Republicano deverá escolher seu candidato à Casa Branca. Com a popularidade de Trump abaixo dos 40%, não se descarta que surjam alternativas a ele.

- Quem desafiará Trump? -Até agora, nenhum líder republicano cometeu o pecado político de se declarar pré-candidato à Casa Branca em 2020 e enfrentar a Trump, mas os nomes dos presidenciáveis começarão a aparecer depois das eleições de novembro.

Um deles pode ser o governador do estado de Ohio, John Kasich, que disputou a indicação do partido na corrida presidencial em 2016 e deixou uma boa imagem de homem capaz de construir consensos em uma época de polarização.

O próprio senador Flake ou o também senador Ben Sasse representariam o retorno a um conservadorismo mais tradicional do que o personalismo de Trump, mas não chegam nem perto da notoriedade do magnata nova-iorquino.

Também existe a possibilidade de que Trump decida não disputar a reeleição. Mesmo com o cenário indefinido, seus aliados já começaram a fazer arrecadações para a campanha de 2020.

A última vez que algo assim aconteceu foi em 1968, quando o presidente Lyndon Johnson abandonou a campanha para sua reeleição, depois de péssimos resultados nas primárias.

Neste caso, para ocupar o espaço político de Trump, podem ganhar espaço seu vice-presidente Mike Pence e o senador senador Tom Cotton.

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