Grandes partidos separatistas catalães querem empossar Puigdemont

Barcelona, 16 Jan 2018 (AFP) - Os dois principais partidos separatistas da Catalunha anunciaram nesta terça-feira (16) um acordo para empossar como presidente regional Carles Puigdemont, que está em auto-exílio na Bélgica.

O Juntos pela Catalunha (centro-direita) e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) "acordaram dar apoio à proposta de candidato à presidência da Generalitat da Catalunha (...) Carles Puigdemont", anunciaram em um comunicado conjunto, no qual não informaram se o acordo implicaria aceitar uma posse à distância.

Nenhum dos dois partidos informou se o acordo inclui a aceitação, por parte da ERC, da posse à distância de Puigdemont, suspenso do cargo no final de outubro pelo governo espanhol de Mariano Rajoy.

Desde então, o líder separatista vive na Bélgica e quer ser empossado sem voltar à Espanha, onde a Justiça o procura por crimes de rebelião e sedição.

O governo espanhol anunciou que recorrerá à Justiça contra uma posse à distância, que até os serviços jurídicos do Parlamento catalão consideram ilegal.

Nas eleições regionais de 21 de dezembro, os partidos separatistas obtiveram a maioria absoluta parlamentar com 70 assentos do total de 135, a maioria deles distribuídos entre o Juntos pela Catalunha (34) e a ERC (32).

O acordo alcançado entre estes dois partidos, que também contempla ceder a presidência do Parlamento a um deputado da ERC, não inclui o pequeno partido de esquerda radical Candidatura de Unidade Popular, com quatro cadeiras.

O anúncio foi feito na véspera da constituição do Parlamento catalão, em uma sessão na qual estarão ausentes oito deputados separatistas, cinco deles porque permanecem na Bélgica e outros três porque estão na prisão.

Durante a sessão, deverão ser escolhidos os integrantes do órgão diretor do Parlamento, que terá que decidir nos próximos dias se aceita ou não uma posse à distância.

A data-limite para realizar o debate de posse é, a princípio, 31 de janeiro.

- Plenária do Parlamento -O Parlamento catalão iniciará na quarta-feira a plenária às 11h00 (08h00 de Brasília). Esta será a primeira vez desde 27 de outubro, quando os separatistas proclamaram uma república independente que depois não puderam implementar diante da suspensão da autonomia regional por parte do governo espanhol de Mariano Rajoy.

Nesta terça-feira à tarde reinava a incerteza sobre se os parlamentares ausentes tentarão exercer seu voto a distância, o que poderia ser questionado por parte da oposição e do governo espanhol, levando ao bloqueio da legislatura.

Se permitirem que os deputados na Bélgica votem, todos eles perseguidos pela Justiça na Espanha, "recorrerão imediatamente", advertiu nesta terça-feira o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy.

Ao contrário, poderia se permitir o voto aos três presos preventivamente em cadeias madrilenhas, por cuja libertação milhares de pessoas se manifestaram nesta terça em Barcelona.

O governo conservador em Madri tomou o controle desta região de 7,5 milhões de habitantes após a declaração de secessão, ao final de dois meses de alta tensão na Espanha, especialmente após o referendo de autodeterminação proibido de 1º de outubro e da violência policial contra os eleitores.

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