Melania Trump, a enigmática primeira-dama dos EUA

Nova York, 16 Jan 2018 (AFP) - Vestida e maquiada à perfeição, mas quase sempre em silêncio quando está em público, Melania Trump é um enigma. Uma primeira-dama cujas opiniões, casamento e objetivos continuam a ser um mistério para milhões de americanos.

Sem dúvida, é uma primeira-dama única: ex-modelo que posou nua no jatinho particular de seu marido, é a primeira esposa de um presidente americano nascida no exterior em quase 200 anos e a primeira para quem o inglês não é sua língua materna.

Um ano depois de se inspirar em Jacqueline Kennedy e vestir azul pastel na posse de Trump, Melania não seguiu o caminho de suas predecessoras na escolha de uma causa, como Michelle Obama, que escolheu lutar contra a obesidade infantil, ou Laura Bush, que defendeu a alfabetização e a leitura.

Permaneceu durante meses em Nova York e se negou a se mudar para a Casa Branca até que seu filho terminasse o ano escolar, algo incomum e que custou aos contribuintes milhares de dólares por dia em segurança.

"Depois de um ano, continua a ser um enigma", afirma Katherine Jellison, professora de História da Universidade de Ohio que estuda as primeiras-damas.

"Não acredito que o povo americano sinta que conhece a mulher real", completou.

Sua promessa de campanha de lutar contra o ciberbullying nunca saiu do papel e foi cruelmente criticada, dada a reputação de Donald Trump no Twitter.

Como terceira esposa de um homem famoso por suas antigas declarações libidinosas sobre as mulheres e que atravessou dois divórcios tempestuosos em um mar de publicidade sensacionalista, Melania é perseguida por especulações de que eles mantêm vidas muito distantes.

O recente livro "Fire and Fury" ("Fogo e Fúria", em tradução livre) do jornalista Michael Wolff sobre a vida na Casa Branca afirma que Melania chorou na noite em que seu marido foi eleito presidente e que mesmo na Trump Tower o casal passava "dias sem contato".

- "Ar de mistério" -"As pessoas ainda estão tentando desvendar o relacionamento entre o presidente e a primeira-dama, e acho que isso alimenta o ar do mistério", aponta Jellison.

Ao contrário de Michelle Obama, educada em Harvard, Melania fez poucos discursos em público, algo que não surpreende depois de sua fala na Convenção Nacional Republicana em 2016, quando foi acusada de plagiar um discurso de Michelle Obama.

Também sofreu críticas na televisão por seu forte sotaque esloveno.

Mãe dedicada, sua comunicação mais direta é um perfil nas redes sociais cuidadosamente cuidado: fotos impecavelmente vestida, muitas vezes interagindo com crianças, ou mensagens de apoio em tempos de tragédia nacional.

Nada poderia ser mais diferente da articulada e sempre presente Michelle Obama, ou de Laura Bush, que visitou o Afeganistão, ou da política comprometida - embora impopular - Hillary Clinton.

"Para encontrar uma primeira-dama tão enigmática quanto Melania Trump, temos que voltar ao final dos anos 1940 e início dos anos 1950, a Bess Truman (1945-1953)", indica Jellison.

"A sra. Trump continua focada em seus papéis como mãe, esposa e primeira-dama (...) enquanto continua sendo uma mulher independente que é leal a si mesma", declarou recentemente uma porta-voz.

- 'Como Diana' -Acompanhou seu marido em viagens pelo Oriente Médio e Ásia.

Seu estilo pode não ser considerado acessível, mas conquistou admiradores apesar de sua questionável decisão de usar salto alto na viagem ao Texas para avaliar a devastação do furacão Harvey. Antes de sair do avião, calçou tênis.

Uma pesquisa de dezembro da empresa Gallup indicou que é vista favoravelmente por 54% dos americanos, 17 pontos a mais do que um ano atrás e muito mais popular do que o marido.

"Está fazendo um trabalho incrível", comemora Paolo Zampolli, um amigo de longa data que disse que comemorou o Ano Novo com os Trumps na Flórida.

Melania cresceu na extinta Iugoslávia governada pelos comunistas e sempre manteve um perfil discreto. Mesmo em Nova York, evitava as festas que outras esposas bilionárias adoram.

Nenhuma outra primeira-dama chegou a esse posto sem primeiro passar pelo "treinamento" de ser a mulher de um funcionário eleito em nível estadual.

"O fato de não ter cometido grandes erros já é uma conquista imensa", avalia a professora de Ciência Política Jeanne Zaino, da Iona College, acrescentando que, "assim como a princesa Diana, pode encontrar sua voz (...) Pode surpreender muita gente".

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