Papa Francisco se despede do Chile com missa em cidade de imigrantes

Iquique, Chile, 18 Jan 2018 (AFP) - Indígenas explorados, imigração ilegal, escândalos de pedofila na Igreja. O papa Francisco conclui nesta quinta-feira (18) sua visita ao Chile, antes de partir para o Peru.

Em sua última missa, em uma praia do Pacífico, no norte do Chile, na presença de 50.000 pessoas, o papa tratou de um dos assuntos mais emblemáticos de seu pontificado: a defesa dos imigrantes.

O pontífice argentino, de 81 anos, escolheu a praia de Lobito, a 20 km de Iquique, cidade de imigrantes.

O Chile é um país que recebe muitos imigrantes, principalmente por sua fronteira norte, por onde há um intenso e irregular ingresso de estrangeiros provenientes da Colômbia, do Haiti, da República Dominicana e do Equador.

Mais de meio milhão de estrangeiros vive atualmente no Chile em situação legal, segundo dados oficiais, ou seja, 3% da população de 17,5 milhões. De acordo com números divulgados pela imprensa local, apenas no ano passado cerca de 105.000 haitianos e mais de 100.000 venezuelanos chegaram ao território.

Mas durante sua visita ao país, destina em grande parte a restaurar as feridas de uma igreja chilena desacreditada por seu silêncio diante dos escândalos de abusos sexuais do clero, o papa multiplicou as declarações de contrição, ainda que finalmente tenha defendido um bisco acusado de encobrir casos.

"Não há uma só prova contra, tudo é calúnia. Está claro?", afirmou o papa Francisco ao defender o bispo chileno Juan Barros.

"No dia que me trouxerem uma prova contra o bispo Barros, aí vou falar. Não há uma única prova contra ele. É tudo calúnia, está claro?", indagou Francisco.

Barros é acusado por vítimas do sacerdote Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano em 2011 por abuso sexual contra menores de idade, de encobrir suas ações.

Depois da missa, o santo padre manterá um encontro com vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e entronizará uma imagem de Maria, que está localizada em La Tirana, a 70 quilômetros de Iquique, como "rainha e mãe" do Chile.

Cerca de 80 religiosos são acusados de abusos sexuais contra menores desde o ano 2000 no Chile.

Na terça-feira, o papa recebeu um pequeno grupo de vítimas, para os quais manifestou sua "dor" e "vergonha".

Ao contrário de outros países visitados na região em suas cinco viagens anteriores, a do Chile não foi das mais fáceis. O papa encontrou um país hostil à Igreja católica da América Latina, com uma secularização crescente e malvista pelos abusos sexuais do clero em relação a menores de idade.

Na última missa de Francisco no Chile, ele alertou sobre a exploração e a discriminação sofrida pelos imigrantes.

"Devemos estar atentos a todas as situações de injustiça e as novas formas de exploração, a precarização do trabalho, a que se aproveitem da irregularidade de muitos imigrantes e a falta de teto", declarou o pontífice, nesta região, onde uma a cada dez pessoas que vivem na cidade é imigrante.

Em seguida, Francisco partirá para a segunda etapa de sua viagem, o Peru, onde permanecerá três dias e visitará Puerto Maldonado, em plena Amazônia, Trujillo e Lima.

O sumo pontífice terá a oportunidade de venerar as relíquias de seus santos favoritos no domingo, na Catedral de Lima, um dia depois de prestar tributo a três sacerdotes - dois poloneses e um italiano -, assassinados pela guerrilha maoísta do Sendero Luminoso.

San Martín de Porres (1579-1639), o frade dominicano negro representado com uma escova na mão como símbolo de humildade, é um dos santos favoritos do Papa, segundo o padre jesuíta Ernesto Cavassa, reitor da Universidade Antonio Ruiz de Montoya.

Já Toribio de Mogrovejo (1538-1606) seria o santo mais admirado por Francisco, por sua dedicação total à missão pastoral.

O papa venerará ainda as relíquias de Santa Rosa de Lima (1586-1617).

Além disso, será presenteado com um arco e flecha por uma comunidade indígena do Peru, que pedirá ao Papa que os defenda e os ajude a reclamar junto ao governo peruano as terras ancestrais de que foram despojados.

A tribo Ese Eja Palma Real é uma comunidade de 230 habitantes. O acesso a ela é feito por uma viagem de duas horas em barco pelo Amazonas, partindo da cidade de Puerto Maldonado, no sudeste do país. É nessa localidade que o Papa se reúne, nesta sexta-feira (19), com 3.500 indígenas peruanos, brasileiros e bolivianos.

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