Trump entra em corrida frenética contra paralisação do governo

Washington, 18 Jan 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou esta quinta-feira envolvido em negociações intensas para alcançar um acordo orçamentário no Congresso, impondo condições e causando confusão em seu próprio partido, na véspera de uma possível paralisação do governo federal.

Os legisladores têm até a meia-noite de sexta-feira para alcançar um acordo sobre o financiamento dos gastos e evitar a paralisação parcial do governo. Isso aconteceu pela última vez em 2013, quando milhares de funcionários ficaram em casa por mais de duas semanas.

"É muito possível" que o Estado federal pare na sexta-feira, disse o presidente, culpando os democratas.

Antes, ele tinha alertado que uma paralisação seria "devastadora" para o governo, e rejeitado uma solução temporária para o programa federal de seguro de saúde para crianças pobres (Chip, em inglês), que legisladores governistas querem renovar por seis anos para agradar a oposição democrata.

Os republicanos, que dominam o Senado e a Câmara, querem um orçamento para 2018 que aumente o gasto militar, uma promessa de campanha de Trump, que considera que as forças armadas têm equipamentos insuficientes após mais de 16 anos de guerra ininterrupta.

"Estamos reconstruindo nosso exército e (a paralisação) seria o pior para ele", disse nesta quinta o presidente, em visita ao Pentágono.

A oposição democrata exige em troca de seu voto uma solução para os "dreamers", jovens que entraram nos Estados Unidos ilegalmente quando eram crianças, e que correm risco de deportação após Trump revogar, em setembro do ano passado, o programa Daca da era Obama, que lhes garantia residência temporária.

Os republicanos pretendem votar ainda nesta quinta um novo acordo de financiamento temporário, até meados de fevereiro, e a continuação do Chip por seis anos, sem incluir medida de imigração.

Pelo Twitter, Trump pressionou o Congresso e os democratas, acusando-os de obstrução. Ele também disse que o Chip "deve fazer parte de uma solução a longo prazo, não de uma extensão de 30 dias ou de curto prazo".

- Evitar o 'caos' -O projeto de orçamento negociado no Congresso "inclui uma extensão do Chip por seis anos, e não 30 dias", respondeu o senador republicano John Cornyn no Twitter.

Mas a proposta não parece satisfazer os democratas.

"Queríamos dez anos, queríamos um Chip, que, por sinal, economizou 6 bilhões de dólares, definitivo, e os republicanos recusaram", disse a líder da minoria Democrata na Câmara, Nancy Pelosi.

O presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, usou a cartada do patriotismo, afirmando que os democratas "continuam retendo o financiamento das forças armadas por questões não relacionadas e datas-limite que não existem" sobre o destino dos "dreamers".

Um acordo interino não é solução ideal, mas evitará o caos, disse à imprensa, garantindo que as discussões avançavam.

Ryan também deve enfrentar as reivindicações dos republicanos ultraconservadores, opostos a qualquer concessão em questões de imigração.

Os republicanos concordaram em resolver a situação dos "dreamers", que permaneceram no limbo e, a partir de março, podem ser deportados.

Mas Trump exige que qualquer lei sobre imigração inclua a votação de fundos para o muro da fronteira com o México, que prometeu construir durante a campanha eleitoral, assim como outras medidas anti-imigração.

"Se não há muro, não há acordo", afirmou o presidente pelo Twitter.

Os democratas, que se recusam a financiar o muro, para eles símbolo de uma política xenófoba, podem bloquear o projeto no Senado, onde é necessária uma maioria qualificada de 60 votos em 100.

Contudo, o senador republicano Lindsey Graham disse na noite de quarta-feira que os democratas tinham concordado com alguns aspectos do financiamento do muro.

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