Woody Allen nega abusos à filha adotiva e condena cinismo dos Farrow

Nova York, 18 Jan 2018 (AFP) - O celebrado diretor americano Woody Allen negou mais uma vez, nesta quinta-feira (18), as acusações de abusos sexuais feitas por sua filha adotiva, Dylan Farrow, acusando a família Farrow de oportunismo.

"Embora a família Fallow esteja cinicamente usando a oportunidade oferecida pelo movimento Time's Up para repetir esta denúncia desacreditada, isto não a torna mais verdadeira hoje do que no passado", escreveu Allen, de 82 anos, em um comunicado divulgado na quinta-feira.

"Nunca abusei da minha filha, como concluíram todas as investigações há um quarto de século", acrescentou.

As declarações de Allen, que dirigiu mais de 50 filmes e ganhador de quatro Oscar, foram divulgadas como resposta a uma entrevista que sua filha adotiva, Dylan Farrow, de 32 anos, concedeu à CBS em um momento em que o movimento Time's Up contra o assédio sexual sacode os Estados Unidos e que foi transmitida na íntegra nesta quinta-feira.

- Orientada? -As alegações de Dylan Farrow de que o diretor a tocou de forma inapropriada quando tinha sete anos apareceram pela primeira vez há 25 anos, na sequência da separação de sua mãe de Allen, que, em 1992, começou um relacionamento com umas das filhas adotivas do casal, Soon-Yi Previn, que tinha 21 anos na época.

Mas o lendário diretor de 82 anos e quatro vezes ganhador do Oscar sempre negou as alegações. As denúncias nunca foram comprovadas.

No entanto, a onda de denúncias de assédio sexual foi um combustível para uma crescente revolta contra Allen.

O cineasta assegura que tudo é uma tentativa da ex-mulher, Mia Farrow, de se vingar porque ele a deixou em 1992 para ficar com Soon-Yi Previn, por sua vez, filha adotiva da atriz com o pianista André Previn. Soon-Yi, nascida na Coreia do Sul, tinha 21 anos na época e Allen, 56. Os dois são casados há mais de 20 anos e têm duas filhas adotivas.

Os serviços de bem-estar infantil de Nova York e um hospital de Connecticut investigaram na época as denúncias de Mia Farrow, que tem 14 filhos, "e concluíram que não houve abuso" e que "possivelmente uma criança vulnerável foi orientada para contar essa história por sua mãe irritada durante uma separação tumultuada", disse Allen.

"O irmão mais velho de Dylan, Moses, disse ter visto a mãe fazer exatamente isso: treinando incansavelmente Dylan, tentando fazê-la acreditar que seu pai era um predador sexual perigoso. Parece que funcionou e tristemente estou certo de que Dylan realmente acredita no que diz", afirmou Allen.

Moses não fala com a mãe adotiva, nem com muitos de seus irmãos, e defende seu pai há vários anos.

"Sou confiável e digo a verdade", disse à CBS Dylan Farrow, que é casada há oito anos e tem uma filha de 16 meses. Allen "está mentindo e vem mentindo há muito tempo".

Farrow contou que quando sua mãe saiu para fazer compras, seu pai a levou ao sótão e pediu para que se deitasse de bruços e brincasse com o trem de seu irmão. "Enquanto brincava com o trem, foi atacada sexualmente... Como diria uma menina de sete anos, [ele] me tocou as partes íntimas", relatou. "Tocou meus lábios vaginais e minha vulva com seu dedo".

Dylan Farrow expôs os detalhes dos abusos que diz ter sofrido do pai pela primeira vez em 2014, em uma carta aberta publicada no New York Times. E voltou a repeti-los recentemente, em dezembro, em uma coluna do jornal Los Angeles Times, intitulada: "Por que a revolução do #MeToo [Eu também] perdoa Woody Allen?".

- Boicote de atores -Mas agora vários atores, como a ganhadora do Oscar, Natalie Portman, dizem acreditar nela. Greta Gerwig, Mira Sorvino, Evan Rachel Wood, Ellen Page, Rebecca Hall e Timothée Chalamet dizem estar arrependidos de ter trabalhado com ele e que não voltarão a fazê-lo.

Alguns, como Chalamet, Hall e Selena Gómez, protagonistas de seu último filme, "A Rainy Day in New York", doaram seus salários a associações que defendem vítimas de abusos sexuais.

No entanto, um ator muito conhecido saiu em sua defesa. Alec Baldwin tuitou seu apoio a Woody Allen na terça-feira e lembrou que as investigações na época não encontraram provas da culpa de Allen.

É "injusto e triste" que seja acusado, afirmou Baldwin, para quem ter trabalhado em três filmes com o diretor foi "um dos privilégios" de sua carreira.

Ronan Farrow, único filho biológico de Mia e Woody Allen, cortou há anos relações com o pai e é o autor de uma investigação jornalística, publicada pela revista The New Yorker, que ajudou a derrubar o poderoso produtor de Hollywood Harvey Weinstein, que caiu em desgraça após ter sido acusado de assédio, agressão e estupro por mais de cem mulheres.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos