Líder separatista diz que pode presidir a Catalunha na Bélgica

Barcelona, 19 Jan 2018 (AFP) - O líder separatista Carles Puigdemont defendeu hoje sua capacidade de governar a Catalunha mesmo estando na Bélgica e evitar assim ser preso se voltar à Espanha, onde a justiça quer julgá-lo por rebelião e sedição após fracassada tentativa de secessão.

"Não posso ser presidente se for presidiário. Na prisão, eu não poderia me dirigir às pessoas, não poderia escrever, nem receber as pessoas", afirmou Puigdemont em entrevista à pública Catalunya Radio.

"A única maneira é poder continuar fazendo isso em liberdade e com segurança", acrescentou, assegurando que "hoje em dia os grandes projetos acadêmicos, empresariais, de investigação são feitos fundamentalmente com o uso de novas tecnologias", enfatizou.

Os dois principais partidos separatistas da Catalunha anunciaram na terça-feira um acordo para empossar Puigdemont, que quer governar à distância na Bélgica, onde está em auto-exílio, apesar da oposição do governo espanhol.

O Juntos pela Catalunha (centro-direita) e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) concordaram em dar apoio à proposta de candidato à presidência de Puigdemont, mas não não informaram se o acordo implicaria aceitar uma posse à distância.

Puigdemont foi suspenso do cargo no final de outubro pelo governo espanhol de Mariano Rajoy.

Desde então, o líder separatista vive na Bélgica e quer ser empossado sem voltar à Espanha, onde a Justiça o procura por crimes de rebelião e sedição.

O governo espanhol anunciou na Justiça uma posse telemática que, inclusive, serviços jurídicos do Parlamento catalão consideram ilegal.

Nas eleições regionais de 21 de dezembro, os partidos separatistas obtiveram a maioria absoluta parlamentar com 70 assentos do total de 135, a maioria deles distribuídos entre o Juntos pela Catalunha (34) e a ERC (32).

O novo presidente do Parlamento catalão, o separatista Roger Torrent iniciou na quinta-feira reuniões com os partidos para designar um candidato à presidência regional, com Puigdemont como principal candidato.

Dois meses e meio depois da fracassada declaração de secessão, os separatistas recuperaram na quarta-feira o controle do Parlamento catalão, dissolvido no dia 27 de outubro pelo chefe do governo espanhol Mariano Rajoy.

Seu próximo passo é recuperar o governo, destituído também por Madri, fortalecido pela maioria absoluta de 70 dos 135 deputados nas eleições de 21 de dezembro, embora oito deles estejam presos ou exilados voluntariamente na Bélgica.

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