Turquia bombardeia enclave curdo no norte da Síria

Reyhanli, Turquia, 19 Jan 2018 (AFP) - A artilharia turca bombardeou novamente nesta sexta-feira (19) o enclave curdo de Afrine, no norte da Síria, onde uma ofensiva da Turquia parece iminente.

A tensão aumentou quando o governo sírio bombardeou com morteiros uma clínica psiquiátrica em Azaz, localidade do norte controlada por rebeldes apoiados pela Turquia.

"As redes e os elementos terroristas no norte da Síria serão eliminados. Não há outra solução", assegurou o ministro turco da Defesa, Nurettin Canikli, em uma entrevista à emissora de televisão A Haber.

A Turquia critica com veemência o projeto anunciado no domingo pela coalizão internacional anti-extremista dirigida pelos Estados Unidos, que propõe a criação de uma força fronteiriça de 30 mil homens no norte da Síria.

Para isso, Washington conta com a participação de membros das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de combatentes curdos e árabes dominada pelas Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), milícia curda que a Turquia considera "terrorista".

A ofensiva turca abriria uma nova frente no complexo conflito sírio e corre o risco de tensionar ainda mais as relações entre Turquia e Estados Unidos, que se esforçou nos últimos dias para tranquilizar seu aliado turco.

O presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou na segunda-feira que a Turquia "cortará pela raiz" esta nova força, e que "a qualquer momento" poderá lançar uma operação contra Afrine.

O Pentágono assegurou esta semana que os Estados Unidos não preveem criar um "exército" curdo na região, e o secretário de Estado, Rex Tillerson, declarou que o projeto foi "mal explicado".

Mas a Turquia decidiu acelerar seus bombardeios e, segundo o jornal Hurriyet, o Exército fez 40 disparos de artilharia durante o dia.

Correspondentes da AFP viram nesta sexta um comboio com cerca de 30 ônibus que transportavam homens vestidos com roupas camufladas da província turca de Hatay até a fronteira síria.

A Turquia prevê utilizar rebeldes sírios formados por seu Exército para uma eventual ofensiva terrestre, como já fez durante uma incursão lançada em 2016.

Além das ameaças de ofensiva, o governo turco enviou na quinta-feira o seu chefe de Estado-Maior e o responsável dos serviços de Inteligência a Moscou para obter a concordância da Rússia para seus planos.

Em Azaz, uma localidade controlada pelos rebeldes pró-turcos, ao menos 14 pessoas ficaram feridas na quinta-feira por disparos de morteiro que caíram em cima de uma clínica psiquiátrica. Os rebeldes acusam as FDS, que negam qualquer envolvimento.

O movimento Hezbollah, pró-iraniano e aliado do governo sírio, acusou os Estados Unidos de usarem "desculpas frágeis" para manter suas tropas na Síria.

O conflito na Síria, que começou como uma rebelião popular contra o regime e que derivou rapidamente em uma guerra com atores regionais e internacionais, provocou em 2017 um grande aumento das vítimas civis, segundo a ONG Airwars.

Em 2017 morreram na Síria e no Iraque entre 3.923 e 6.102 "não combatentes" durante 766 ataques, o que significa o triplo de vítimas civis em comparação com 2016.

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