Em Trujillo, no Peru, papa Francisco condena insegurança e crime organizado

  • Vatican Media/Pool Photo via AP

    Papa Francisco segura um garoto nos braços durante visita ao Peru

    Papa Francisco segura um garoto nos braços durante visita ao Peru

Incansável, o papa Francisco celebrou neste sábado (20), em Trujillo, 560 quilômetros ao norte de Lima, sua primeira missa no Peru, acompanhado por milhares de pessoas em uma praia da cidade histórica de Huanchaco, paraíso dos surfistas, onde se amarram os "caballitos de totora", embarcações tradicionais de pescadores em forma de canoa.

Em sua homilia, o papa condenou a "insegurança", a "violência organizada" e a "pistolagem" que mortifica essa região, atingida no ano passado pelas chuvas do fenômeno climático "El Niño costeiro", que deixaram mais de 130 mortos e cerca de 300 mil desamparados.

O papa reconfortou os moradores do bairro Buenos Aires (na foto), um dos mais atingidos pelas chuvas que, um ano depois, espera ser reconstruído. Assim como no dia anterior na Amazônia, o presidente peruano, Pedro Pablo Kuzcynski, acompanha o papa.

Na cidade da eterna primavera, o pontífice se encontrou com sacerdotes e religiosos e participou de uma celebração mariana antes de retornar a Lima, onde no domingo terminará sua sexta viagem à região, que também incluiu o Chile, com uma grande missa --espera-se a presença de um milhão de pessoas-- na base aérea de Las Palmas.

Diferentemente do Chile, o país mais hostil da América Latina à Igreja Católica, onde o papa se viu envolvido na polêmica por sua defesa de um bispo acusado de acobertar um sacerdote condenado por abusos sexuais contra menores de idade, Francisco recebe uma recepção muito calorosa no Peru.

Fervor popular

Lima foi adornada com cartazes de boas-vindas ao papa argentino, que sentiu o carinho e a devoção dos peruanos por onde passou. 

Na sexta-feira, o papa viajou para Puerto Maldonado, no coração da Amazônia peruana, para defender os povos originários, como já havia feito em Temuco (sul do Chile), e alertar o mundo das ameaças que pesam sobre a floresta que abarca quase um terço do território peruano.

"Temos que quebrar o paradigma histórico que considera a Amazônia uma fonte inesgotável dos Estados sem levar em conta seus habitantes", disse o papa argentino, que denunciou a mineração ilegal que está destruindo a floresta, o tráfico de pessoas que não é outra coisa além de "escravidão" e a violência contra as mulheres.

O vírus da corrupção

Em um país onde um ex-presidente - Ollanta Humala - está em prisão preventiva, sobre outro pesa uma ordem de extradição - Alejandro Toledo - e o chefe de Estado atual, Pedro Pablo Kuczynski, esteve a ponto de ser destituído pelo Congresso, todos por supostamente terem recebido dinheiro da empreiteira Odebrecht, o papa lançou contra o "vírus da corrupção" que "infecta tudo".

"Quanto mal faz a nossos povos latino-americanos e às democracias deste bendito continente esse 'vírus' social, um fenômeno que infecta tudo, sendo os mais pobres e a Mãe Terra os mais prejudicados", disse o papa na recepção oferecida pelo presidente no palácio do governo em Lima.

A luta contra este "flagelo" supõe uma maior "cultura da transparência entre entidades públicas, setor privado e sociedade civil", porque a corrupção "é evitável e exige o compromisso de todos", assegurou.

Para isso, "estimulou" as pessoas que ocupem algum cargo de responsabilidade que se "empenhem" nesta luta para que o Peru se converta em um espaço de esperança e oportunidade para todos e "não para poucos".

Os problemas do presidente começaram em meados de dezembro, quando diretores da empreiteira Odebrecht revelaram que a empresa havia pago quase US$ 5 milhões em assessorias a empresas ligadas ao presidente quando era ministro do então presidente Alejandro Toledo (2001-2006).

Até então, Kuczynski havia negado qualquer relação com a questionada empresa, que depois de decidir cooperar com a Justiça peruana confessou que havia pago US$ 29 milhões em propinas no país ao longo de três governos, de Alejandro Toledo, Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Kuczynski estava prestes a ser destituído em dezembro por mentir sobre suas ligações com a empreiteira no governo de Alejandro Toledo, sobre o qual pesa uma ordem da Justiça peruana para ser julgado no país também por corrupção no mesmo caso.

Mas com sua salvação chegou sua condenação. Kuczynski, de 79 anos, se salvou graças ao apoio do grupo de Kenji Fujimori. A maioria dos peruanos acredita que isso seu deu em troca do indulto a seu pai, Alberto Fujimori, que cumpria 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade.

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