Protestos contra reeleição presidencial bloqueiam vias em Honduras

Tegucigalpa, 20 Jan 2018 (AFP) - Manifestantes bloquearam neste sábado (20) rodovias em vários pontos de Honduras, como parte de um boicote à reeleição do presidente Juan Orlando Hernández, ao questionar o resultado das eleições de 26 de novembro, e entraram em confronto com forças de segurança que tentavam dispersá-los.

"Foram registradas algumas ocupações de estradas em nível nacional, mas estão sendo liberadas de forma pacífica" pelas autoridades, disse à AFP o porta-voz militar, tenente José Coello.

A esquerdista Aliança da Oposição contra a Ditadura convocou para este sábado "uma paralisação nacional" na Operação Fora JOH (Juan Orlando Hernández)", que consistia em bloquear a passagem em vias públicas de todo o país.

- Boicote à posse presidencial -A convocação aos bloqueios das rodovias tinha como objetivo boicotar a nova tomada de posse do presidente, prevista para 27 de janeiro, e em reivindicação à vitória eleitoral do candidato da Aliança, Salvador Nasralla, um popular apresentador de TV de 64 anos.

Desde a sexta-feira, o governo deslocou milhares de militares e policiais nas diferentes regiões do país para dissuadir os manifestantes.

Coello informou que as autoridades apreenderam cargas de pneus que eram transportadas em veículos para efetuar os bloqueios.

Segundo reportagens de veículos locais e redes sociais, no departamento (estado) de Colón (nordeste), os manifestantes incendiaram pneus, mas aceitaram deixar o local a pedido dos policiais.

Em Taulabé, 100 km ao norte da capital, os opositores bloqueavam a passagem na principal rodovia do país, entre Tegucigalpa e San Pedro Sula.

Na capital, grupos de manifestantes que tentaram bloquear a saída para o leste do país foram dispersos por policiais antes de queimarem os pneus.

No entanto, voltaram minutos depois e foram reprimidos por policiais com bombas de gás lacrimogêneo, às quais os manifestantes responderam atirando pedras. Em seguida se reagruparam em outro local e os policiais voltaram a atacá-los, sem trégua de nenhum dos lados.

Em uma estrada nas proximidades da Universidade Nacional, ao leste, simpatizantes da aliança atearam fogo a pneus em pelo menos três vias, mas os policiais controlaram o fogo e habilitaram a passagem de veículos.

A Aliança de Oposição contra a Ditadura, coordenada pelo presidente deposto em 2009 e líder da esquerda, Manuel Zelaya, convocou seus partidários a impedir a posse de Hernández mediante o bloqueio de rodovias, acessos a aeroportos, portos e fronteiras, alegando que houve "fraude nas eleições".

Segundo organismos de direitos humanos, mais de 30 manifestantes morreram nos protestos desde as eleições de 26 de novembro e as autoridades policiais também reportaram três mortes.

Com a aproximação da posse, Zelaya e Nasralla pediram uma intensificação dos protestos entre 20 e 27 de janeiro.

O povo "jamais vai aceitar uma imposição fraudulenta de um inescrupuloso que trai, conspira contra a vontade popular e agora assassina, executando pessoas que protestavam", informou a aliança em uma declaração.

Cuello informou que a população tem direito às manifestações pacíficas, mas que abrirão as vias para garantir o direito à livre circulação.

- Cerimônia de posse -A Força de Segurança Interinstitucional Nacional (Fusina), que reúne policiais, militares e operadores da Justiça, advertiu em uma declaração que este organismo "tem a potestade de proceder ao desalojamento de manifestantes que persistam em violentar os direitos individuais" e ações de vândalos que destruam a propriedade.

O governo anunciou que procederá à tomada de posse em um ato simples, sem a presença de chefes de Estado de outros países.

Segundo fontes políticas, o governo está preparando quatro cenários para a cerimônia - o Estádio Nacional e três auditórios -, antecipando alternativas para utilizar o mais conveniente diante de eventuais protestos no dia.

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